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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Ideias que me "tiram do sério"



Sair da minha zona de conforto não é só correr ou deixar de esconder a minha pequena deficiência. Há uma coisa que me deixa extremamente angustiada, mas que, em contrapartida, faz a minha filha extremamente feliz: ir à escola ler uma história aos meninos. Santo deus, só de pensar nisto fico com azia. Eu costumo dizer que não tenho jeito para crianças, só para as minhas, porque são minhas e uma pessoa perde a vergonha com os da casa. Com todas as outras crianças, chego a ter medo que se metam comigo. Isto é uma parvoíce, claro, porque as crianças não estão nem aí para a minha vergonha. E a primeira vez que fui ler uma história à sala da Inês, o ano passado, foi uma experiência fascinante. Não só consegui com que os miúdos estivessem sossegados a ouvir, como no fim eles interagiram muito bem e adoraram as fotografias de animais selvagens que levei (tinha a ver com a história e com o projecto anual). Depois até fiquei com pena de só ter ido ler a história no fim do ano lectivo e de não poder repetir, mas prometi a mim mesma que todos os anos iria à sala da Inês (e da Alice quando ela for mais velha) ler uma história aos meninos.

Este ano lectivo ainda não tinha tido coragem. O tema do projecto não tem muito a ver comigo e usei-o como desculpa para ainda não ter proposto nenhuma actividade à educadora. Mas no primeiro dia de aulas de Janeiro, ganhei coragem e sugeri à educadora ir ler uma história que não tenha a ver com o projecto. Ela aceitou (na verdade, ficou toda contente, não devem ser muitos os pais que têm tempo para ir ler uma história às 10 da manhã) e marcámos para a semana.

Confesso, estou a tremer. Não só tenho de ler uma história, como também de fazer uma actividade relacionada com a história. Mas sei que, no final, a experiência vai ser mais do que positiva, vou ficar muito satisfeita comigo, por ter conseguido, e vou deixar a Inês muito orgulhosa da sua mamã.

Então, como este ano optei pelo tema "Felicidade", pensei levar um de dois livros que tenho lido à Inês que tratam deste tema. São eles:


Depois, pensei em fazer uma actividade de desenho, pintura e colagem com eles, na qual lhes proponho que pensem no que os faz feliz (comer um gelado, ir à praia, dormir em casa dos avós, etc.), fazer um desenho alusivo e depois colar todos os desenhos numa cartolina gigante. Seria o placard da felicidade, com inúmeras sugestões. Para tirar ideias, trouxe da biblioteca um livro que ao princípio me pareceu parvo, mas agora há livros que ensinam a fazer coisas com os filhos?, mas que, ao folheá-lo, me apercebi que tem ideias muito giras para sermos uma família criativa.


Chama-se "365 actividades para fazer com os seus filhos" e, à falta de imagens no livro, há um blogue que complementa o livro. Espreitem aqui.
Encontrei imensas ideias para desenvolver o tema da felicidade, tais como o caderno das coisas boas (um pouco à semelhança do Livrinho da Gratidão), o quadro dos sonhos, o livro da minha vida, o pote das coisas de que mais gostamos, jogo do abecedário da gratidão, e imensas outras actividades de pintura e manualidades, reciclagem e jogos. Acho que não consigo retirar grande coisa para a sala de aula, mas consigo certamente retirar ideias cá para casa.. Inclusivamente, já pus a miúda em pulgas com a ideia de fazermos um caderno da felicidade com base em fotografias dela a fazer as coisas de que mais gosta. Tanto que hoje de manhã me perguntou: "Mamã, depois da escola podemos ir à loja imprimir as fotografias?"
Raça da miúda.

Analogias

Dar uma festa de anos para a filha de 4 e convidar 20 crianças entre os 4 e os 9 anos é como fazer uma frequência na faculdade: levamos 2 semanas a prepararmo-nos, no dia é uma carga de stress concentrado durante 2 horas e quando as pessoas se começam a ir embora e a adrenalina desce, pensamos sempre que podíamos ter feito melhor. 

Mas, no geral, foi uma festa do catano.

De modos que vamos ter festa

Isto de dar à luz perto do Natal não tem um só ponto a favor, a não ser o facto de as mensagens de felicitações pelo nascimento poderem incluir piadolas e alusões ao menino Jesus. Ainda hoje....
Mas adiante. 
Tomemos, por exemplo, a festa de anos do filho quando faz 4 anos. É uma dor de cabeça. Ser tão perto do Natal dificulta muito a vida aos pais que têm de decidir se fazem a festa no dia ou no fim-de-semana a seguir. É que pode calhar no dia de Natal ou naquela semana entre o Natal e o Ano Novo em que as pessoas tendem a fugir de festas como o diabo da cruz. Foi o caso deste ano. Demorámos semanas só para decidir se fazíamos festa no próprio dia (mas quem é que faz festa a uma segunda-feira a dois dias do Natal??), no domingo antes, no sábado a seguir ou só em Janeiro quando os (pais dos) outros meninos tivessem mais disponibilidade e já tivessem saudades de ver uma mesa cheia de bolos. Ou não fazer festa de todo. Mas visto que a rapariga passou o ano a falar da festa dos 4 anos, esta não era propriamente uma hipótese.

Passada a primeira dificuldade: o tema e a pirosice que ela escolheu, decidimos, pela primeira vez, convidar os colegas de escola. Por ser a altura que é e por a festa calhar a um dia de semana, pensámos que se viessem dois ou três já era uma sorte e não conseguíamos esconder alguma pena e preocupação, tendo inclusivamente contratado uma animadora para colmatar a falta de criançada. Ficámos contentes quando os primos disseram que vinham porque, pronto, sempre são os primos de quem ela gosta muito e já dariam algo que fazer à animadora (além de que uma animadora durante a semana é como os casamentos ao domingo: sai muito mais barato!)

Mesmo assim, esmerei-me nos convites que fiz e escrevi à mão. 18 convites (só para a escola) que me provocaram cãibras na mão e me puseram a pensar sobre como raio consegui sobreviver à faculdade - será que, hoje em dia, ainda tiram apontamentos à mão?
A rapariga ajudou-me, excitadíssima, e sem se aperceber dos meus olhares de pena.



Qual não foi o meu espanto quando as confirmações começaram a chegar. Dos 18 só não vêm 2, um que recusou com uma desculpa plausível e o outro que ainda não disse nada. Curiosamente, este que não disse nada é o filho da minha professora lá do ginásio. Acho que ela decidiu ignorar o meu convite feito e escrito à mão por pura retaliação pelo facto de eu mal ter posto os pés no ginásio nas últimas duas semanas. Ai não vens à minha aula? Pois, o meu filho também não vai à tua festa. Toma lá que é para aprenderes!
Ou então está-se simplesmente a cagar e pronto.

De qualquer maneira, a conclusão é que vamos ter casa cheia e o melhor é perguntar à animadora se não tem uma irmã gémea e reforçar a encomenda de arroz de pato.
Só espero que os pais dos 16 + primos não sejam daqueles de ficar na festa, senão vamos ter um sério problema de espaço.
Pois, é que a festa é em casa. E nós cheios de penas...

Dormir é coisa para fracos

Quando estava a mostrar a casa à nova empregada (abençoada seja!), chegámos ao quarto das crianças e eu, meio envergonhada, tentei justificar o cenário de batalha campal com camas desfeitas e dois colchões no chão. Pois, sabe, é que a mais velha agora recusa-se a dormir na cama dela, temos tido alguns problemas neste campo... Ao que ela responde, com a maior naturalidade do mundo, que isso era do mais normal que havia e que o filho do meio dela dormiu no chão até aos 7 anos (neste momento, apeteceu-me rebolar pelo chão a chorar e arrancar os cabelos).

Há umas boas semanas que eu só sei o que é dormir uma noite inteira na minha cama, ao lado do meu homem, se elas forem para a avó (abençoada seja!). Nas noites normais, por volta das duas da manhã, se não antes, lá vai um de nós para o quarto delas, porque a mais nova tem tosse e acorda a mais velha ou porque a mais velha tem pesadelos e acorda a mais nova, e acabamos por pôr cada uma em seu quarto com um dos pais e dormir o resto da noite em camas separadas. Quem fica com a cama de casal tem mais sorte do que quem fica no colchão no chão, mas depois de várias noites assim, não há disputas sobre o melhor colchão. A malta quer é dormir!
Não sei se isto de as crianças preferirem dormir no chão em vez de na cama deles é assim tão normal, pelo menos ainda nunca tinha ouvido casos destes. Dormir na cama dos pais? Já tinha ouvido. Os pais dormirem com os filhos na cama dos filhos? Já tinha ouvido. Os filhos preferirem dormir no chão e querem que os pais durmam com eles no chão? Nunca. (E vai daí...) Mas há sempre uma primeira vez para tudo e já não vão daqui sem terem aprendido uma coisa nova, que é: quem tem filhos não pode nunca cantar de galo. Ah e tal, eu nunca vou fazer assim. Não pode. Ah e tal, eu cá nunca vou fazer assado. Não pode. Especialmente quando os nossos objectivos parentais são comprometidos pela privação de sono. Não há volta a dar. Às duas da manhã a malta não quer saber do que não se pode e não se deve fazer nisto de educar, a malta quer é que elas parem de chorar, se enrosquem em nós quietinhas e nos deixem dormir.

Já pensei, no entanto, em várias formas de convencer a miúda a saltar para a cama dela e não sair de lá. Nenhuma envolve cordas e nós de escuteiro, estejam descansados. Pensei em coisas mais doces como suborná-la com chocolates (check!), coisas mais lúdicas como mostrar-lhe vídeos do Anselmo Ralph (check! and don't ask!) ou coisas mais pirosas como comprar-lhe um edredon da parva da Violetta. Not check, porque mãe (ainda) tem limites! 

Por isso venho aqui pedir encarecidamente que me inundem com as vossas sugestões infalíveis para convencer a Inês de que a cama dela é que é. Preciso muito de ajuda. Já estou a chegar àquele ponto em que, quando me vou deitar, penso se valerá a pena deitar-me na minha cama...


A morte no mundo dos contos de fadas

A ver a notícia de mais um bombardeamento de uma escola em Gaza.

- Mamã, aqueles senhores estão a apanhar o quê?
- Pessoas que morreram, querida.
- Ah, eu sei o que é morrer. Eles tocaram numa roca, pois foi?

(Não fosse o contexto tão triste e teria sorrido.)

O mundo gira à volta das crianças

(o pai a conduzir)

- Paaaiiii, podes meter a Xana Toc Toc?
- Posso sim, Inês. Já vai.
(repetir o mesmo 3 vezes num minuto)

- Inês! Já vai! Tens de ter paciência. O mundo não gira à tua volta
- Ai, gira gira!
- Não gira, não.
- Gira, sim! (pausa) O mundo gira à volta das crianças!

(pausa)

- Toma lá a Xana Toc Toc.