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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Passos de tartaruga

Estando a recém-nascida a ganhar bochechas auspiciosas de uma boa alimentação e estando a mãe, finalmente, a livrar-se das dores do pós-parto e de outras que tais, ansiosa por apanhar com o sol de Inverno nas trombas e de dar uns bons passeios para afugentar definitivamente as dores no pescoço, resolvi (ou o pai resolveu por mim) começar a dar pequenos passeios diários pelas redondezas. No primeiro dia fomos, eu e a bebé - sempre muito bem resguardada não se desse o caso de me perguntarem quanto tempo tinha e me acusassem de negligência por andar já a laurear a pevide com tão novo rebento - fomos, dizia, ao hospital levantar os papéis da alta, antes que se perdessem no labirinto burocrático da instituição. No segundo dia fomos a pé até à farmácia, o que correspondeu a uma meia-maratona de 500 metros que a petiz fez sempre de olho aberto atenta aos ruídos do mundo. No terceiro dia, hoje, resolvemos arrojar verdadeiramente e arriscámos ir até aos correios, ribanceira abaixo, double check no chassis da alcofa, enviar o nosso contributo para duas campanhas solidárias, tão prolíferas nesta época. Depois disso, foi a autêntica loucura: atrevi-me a parar num café, comprar uma aguinha e um bolo altamente calórico e sentar-me num banco ao sol a ler a revista da Bimby deste mês...
How lame is that?

Isto tudo para dizer que há aí duas campanhas solidárias em que não custa nada participar e apelar, assim, ao vosso altruísmo: o Banco do Bebé precisa de roupinha usada de bebé e criança, fraldas, artigos de higiene, etc. (informações aqui) e a associação Sorrisos de Julinha vai receber todos os lucros da venda dos vossos livros usados (informações aqui). Eu que ando sempre à cata de oportunidades para dar nova utilidade aos meus livros, despachei logo cinco!



Doação de livros (para bibliotecas e não só)

Pesquisei muitas vezes esta frase "Doação de livros para bibliotecas" no google e tudo o que encontrava, para além de páginas brasileiras, eram artigos sobre doações de livros escolares, ou livros para África ou fóruns em que alguém perguntava exactamente o mesmo que eu e obtinha invariavelmente a resposta "As bibliotecas não costumam aceitar doações de particulares" e contavam casos em que foram muito mal atendidos. Típico.
Na verdade, quando enviei um e-mail à biblioteca do Goethe Institut a inquirir se podia doar as dezenas de livros em alemão que trouxe de Berlim, a resposta não foi muito diferente: não aceitamos doações de particulares, mas se quiser pode cá deixar os livros que os encaminhamos para vendedores de livros em segunda mão. Como?? Se eu quiser que alguém lucre com os meus livros, vendo-os eu na ebay, pois claro. Na verdade, só não o fiz, vender na ebay, por pura preguiça e porque o meu objectivo principal não é fazer dinheiro, é passar os livros a outra pessoa, que os leia, e desocupar espaço cá em casa - toda a gente sabe que sou adepta do destralhanço.
Para algumas pessoas pode parecer esquisito como é que eu me consigo desfazer dos livros com tanta facilidade. A minha relação com os livros é simples: li um livro, gostei, não foi um dos livros da minha vida, então não precisa de ficar guardado no relicário, ou não gostei e nem sequer o acabei, não terá direito a uma segunda oportunidade, vai fora - no sentido de sair cá de casa. 
E há várias maneiras de o fazer:

- Vendas de feira. Seen that, done that. Por três vezes que já levei os meus livros a passear por feiras de artigos em segunda mão e a minha experiência diz-me que não vale a pena o esforço. Os livros acabam por ficar com as pontas viradas (uma vez choveu, foi um desastre) e eu com a moral em baixo. As pessoas desvalorizam um livro usado a ponto de não consideraram dar mais de três euros por ele. É ridículo. Um livro de 400 páginas, em bom estado, sem rasuras, sem páginas dobradas, relativamente recente e, vá, até interessante, vale muito mais do que aquilo que as pessoas estão dispostas a dar. Mas se calhar sou eu que não tenho E. L. James para vender...

- Bookcrossing. É preciso ser membro e registar os livros. Ainda é o meu método preferido porque sei que os livros vão parar a pessoas que os vão ler realmente: anuncio no fórum que tenho livros para dar e mando ao primeiro interessado. Desvantagens: só dá para enviar um livro de cada vez, temos de pagar os portes e o envelope (apesar de a tarifa de livro ser bastante em conta) e os bookcrossers costumam preferir livros em português. Enviar livros em estrangeiro para outros países fica mais dispendioso e, tendo em conta o número de livros que ainda tenho para dar, não me adianta mandar só um de cada vez. 

- Freecycle. Apesar de ser uma utilizadora frequente, ainda não tinha falado aqui do Freecycle. Merece um post exclusivo, dedicado especialmente aos utilizadores, mas, apenas em jeito de explicação sobre o funcionamento, basta dizer que o Freecycle é uma organização que incentiva à reutilização e reciclagem das coisas, em cujo fórum podemos anunciar gratuitamente aquilo que queremos dar ou de que estamos à procura e, do mesmo modo, responder a anúncios do mesmo género. Sou uma grande utilizadora da rede, em especial no que toca a dar coisas que já não me fazem falta. Os livros que o Goethe Institut recusou foram para três pessoas no Freecycle que mostraram interesse em livros em alemão. A desvantagem da rede é mesmo ter de lidar com os respectivos membros. Já encontrei gente dita normal, super simpática, com quem mantenho uma relação freecycliana (muitas vezes contacto-os directamente quando tenho algo que sei de que vão gostar), mas também já me deparei com cada figurinha de bradar aos céus...

- Bibliotecas municipais. Até há bem pouco tempo, eu pensava que as bibliotecas municipais não aceitavam doações de particulares. Mas, como não faz mal perguntar, acabei por enviar um e-mail à direcção do grupo das Bibliotecas de Oeiras. Para meu espanto, responderam-me no próprio dia a dizer que sim, senhora, aceitamos doações de particulares, incluindo livros em estrangeiro, desde que os livros estejam em excelente estado de conservação e não sejam de carácter demasiado técnico ou livros escolares. Fiquei radiante. Peguei nos meus melhores livros e lá fui com dois sacos cheios. Explicaram-me que, se a biblioteca não precisar dos livros em questão, serão encaminhados para outras bibliotecas do concelho ou para outras entidades do género (calculo tratar-se de bibliotecas de escolas). Em caso extremo, se o livro estiver em mau estado ou não for adequado para qualquer biblioteca, será colocado na "Mesa das ofertas" que se encontra no átrio de entrada para qualquer pessoa que o queira levar para casa. Disse-me ainda que também aceitam DVDs e CDs, o que me deu novas ideias...

É bom saber que os meus livros não ficam a ganhar pó nas prateleiras e que, no caso das bibliotecas, vão ser lidos por dezenas de pessoas ao longo de muito tempo. Ou não, e ficam a ganhar pó nas prateleiras da biblioteca... Mas, como aprendi no Freecycle, há sempre alguém que quer alguma coisa, há sempre alguém com os mesmos gostos que nós, e, mesmo que sirva só para aumentar o espólio bibliotecário do estado, sabe muito bem ir a uma biblioteca e encontrar todos aqueles livros que queremos ler e que já não precisamos de comprar nos próximos vinte anos! E as bibliotecas do concelho de Oeiras estão muito à frente nesse campo.

Finalistas



Dos nove títulos finalistas que tinha na minha lista, trouxe oito. Não consegui trazer o nono, um qualquer da dupla Lars Kepler, não por os sacos já estarem muito pesados, mas porque as capas me assustaram de morte, principalmente esta. Apesar de me terem garantindo a pés juntos que a história não tem nada de sobrenatural, simplesmente não deu. Acho que este livro só com uma capa daquelas de tecido (eu sou uma pessoa que nem sequer viu O Sexto Sentido porque metia almas do outro mundo e, no dia em que vi O Exorcista, aos 16 anos, a minha mãe teve de ir dormir comigo duas noites seguidas...) 
Portanto, o saldo final: quatro policiais, três romances e um livro de crónicas (três destes de produção nacional). Acho que foi uma selecção equilibrada. O pior é decidir qual escolher para começar...

P.S.- Tenho a agradecer a esta e a esta meninas que muito contribuíram para esta pequena lista. Se não gostar dos livros, já sei a quem posso ir pedir explicações!

Há mais vida quando se lê



A Feira do Livro de Lisboa começa hoje e urge fazer uma lista dos livros que quero comprar, para que não aconteça o que os nutricionistas desaconselham às pessoas que querem emagrecer: nunca vá às compras com fome.
E eu ando com fome de ler.
Desde que a minha filha nasceu que não tenho lido nada de jeito. Leia-se: nada de jeito em quantidade, porque não sou pessoa para perder tempo com livros que não me cativam ou literatura de cordel. Não gosto, não leio, volta para a prateleira ou, como tem acontecido ultimamente, vai pelo correio para outra pessoa. Este ano já li umas coisas jeitosas, como João Tordo, José Luís Peixoto (que nunca, mas nunca desilude) e valter hugo mãe, uma preciosa descoberta este ano. Mas, tirando isto, tenho-me limitado a livros técnicos sobre parentalidade, minimalismo e felicidade (não é bem auto-ajuda, mas percebo que facilmente se confunda) os quais, em dias de maior cansaço, são a desculpa ideal para nem lhes tirar o pó da capa.
Quando o homem foi para o Nepal, eu deitava-me sempre cedo. E lia todas as noites. Descobri que ando a precisar de histórias, não de conceitos. Preciso de histórias que me cativem, que me façam querer pôr palitos nos olhos e ficar acordada até às 3 da manhã para ler (onde é que isso já vai...), histórias que me façam pensar nelas durante dois dias para além da última página, histórias que me levem até às ruas geladas de Reiquiavique (diz que é assim que se escreve). Histórias de assassínios no gelo e detectives solitários em busca da verdade em detrimento da vida familiar e pessoal que se vai desmoronando à medida que se aproxima o desenlace. E a neve, sempre a neve e a escuridão. Adoro. Policiais escandinavos, é do que eu gosto. Um gosto esquisito, pois então. Há quem goste de histórias adolescentes sobre vampiros, há quem nem sequer goste de ler. Eu gosto de policiais do frio. Pois então.

Quando estava na Alemanha, descobri alguns autores que me acompanharam fielmente durante meia dúzia de anos. Henning Mankell, Arnaldur Indridason, Ake Edwardsson e Karin Fossum, cujo A Noiva Indiana foi capaz de ser um dos melhores policiais que já li.


Quando voltei para Portugal, continuava a mandar vir os livros em alemão, até que ler em alemão me começou a cansar, mais do que me custar. Experimentei mais um ou outro em português, mas, com algumas desilusões pelo meio (Camilla Läckberg foi uma delas - aquela Princela do Gelo facilmente confunde policial com crónicas da Bridget Jones, por que raio é que a protagonista há-de estar sempre preocupada com o peso e com o que veste, por deus?), pouca coisa encontrei que me enchesse as medidas. E estou a falar apenas do género policial.

Agora que a segunda gravidez me voltou a tirar neurónios, sinto que preciso de histórias simples, pouco descritivas ou conceptuais e com muita acção e suspense para evitar que adormeça ao fim de duas páginas. Eu, que sempre fui mulher de gostar de clássicos e livros que exigem mais concentração, dou por mim a não conseguir sequer acabar um Murakami por ser demasiado surreal e pouco emocionante (convenhamos, o senhor volta sempre ao mesmo).

Posto o que, com a Feira aí à porta, preciso urgentemente de sugestões de leitura para as férias que também se avizinham. Só numa tarde já consegui reunir uns quantos títulos graças a dicas dadas por amigos, mas todas as sugestões são poucas quando a sede de ler é tanta.

Ora, faz favor de chutar.