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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Post anticapitalista


Fecharam o Tacheles. Desta é que foi. Fecharam o Tacheles.

Em breve irão deitar abaixo as paredes daquele que, durante anos, foi um ícone da cultura alemã, um símbolo da contracultura, da liberdade de pensamento anticapitalismo. Se calhar foi por isso mesmo. Na Alemanha de Merkel não dá jeito ser anticapitalista e o Tacheles era uma nódoa numa das ruas mais turísticas da cidade. As próximas a irem serão as prostitutas de corpete e tacão alto. Preparem-se, meninas, que não fica bem que vos vejam tão descascadas. De qualquer maneira, o espaço faz falta para construir mais um boutique hotel. Digo eu. Aposto 500 paus.

O Tacheles era também o meu happy place em Berlim. Um dos. Durante os 4 anos em que vivi na cidade, o Tacheles fazia parte da minha rotina como um sítio incontornável aonde levar as visitas, aonde ir beber uma cerveja no verão, aonde ir ao cinema no inverno. Lembro-me bem da primeira vez que fui lá ao cinema. O barman era o vendedor de bilhetes que era o assistente de sala que era o projeccionista. Um 4 em um para poupar dinheiro ou porque a sala de cinema não era assim tão grande. Lembro-me bem das conversas de engate em espanhol ao balcão, das conversas menos de engate em português nas mesas (sobre os dez CDs que levaria comigo para uma ilha deserta - e eis que ainda consigo dizer de cor quais os dez CDs que escolhi na altura, só que isso agora não interessa nada) e dos charros em francês que fumei. Ops, eu não disse isto. Lembro-me bem da festa argentina a que fui uma vez no último andar, também aquele daquela cena no filme Goodbye Lenin!, e da qual saí pouco depois porque há coisas que continuam a ser demasiado à frente para mim. E lembro-me bem, por fim, das construções em ferro que projectavam fogo e dos fins de tarde passados nas traseiras, sentada em paletes a beber Becks e a rir-me dos excertos de filmes porno a preto e branco que estavam a ser projectados na parede do edifício em frente e aos quais ninguém ligava nenhuma.
E agora fecharam o Tacheles. Pois puta que os pariu.

Limpeza

A sensação de ter conseguido deitar fora aquelas duas malas que não usava desde 1846 que estavam em péssimo estado e tinham o forro desfeito, mas que me faziam lembrar não sei o quê e que eu achava que ainda podia vir a precisar delas/conseguir remendá-las? Libertadora! E as cartas e fotos do ex em que ele me prometia amor eterno antes de acabar comigo dois meses depois? Oh, foi tudo fora. Tudo, tudinho. LI-BER-TA-DOR! Adoro o minimalismo!

MUSIC BOX #8: Tightrope



Esta é daquelas músicas que nunca me lembro de quem é ou como se chama. Ouvi-a pela primeira vez na compilação "Dark Was the Night". Pode ser que agora não me volte a esquecer.

Chamo ainda a atenção para a figurinha do guitarrista...

E no princípio era o Minimalismo


Antes que este post dê a impresssão errada, eu  não sou minimalista. Tenho a casa cheia de tralha e ainda faço a mala com 4 pares de calças extra para dois dias porque "nunca se sabe quando posso precisar delas". Tenho uma estante com cds que fui comprando ao longo dos quatro anos que vivi em Berlim e que compõem uma espécie de banda sonora dos meus tempos de imigrante, mas que já raramente oiço, e livros que não voltei a ler segunda vez, mas dos quais não me consigo desfazer.
No entanto, o facto de já ter mudado de país duas vezes e de casa umas dez mil ajuda a ter percebido que, quanto menos coisas tivermos de embalar e desembalar, menos chato é mudar de casa. Ajudou o facto de, quando voltei de Berlim, não ter podido trazer no avião a minha casa e ter tido de me desfazer de praticamente tudo antes de embarcar, menos dos cds e de alguns livros, que fui despachando por HDL e dos quais hoje me arrependo de não ter vendido por lá, num país onde havia leitores para eles. Convenhamos que agora que, cinco anos depois, percebi que não os vou voltar a ler, é-me muito mais difícil vender (ou mesmo dar, que já estou por tudo!) livros em alemão numa terra de portugueses.

Já há algum tempo que me tenho vindo a identificar com algumas premissas do minimalismo e a concluir que as coisas só nos atrasam e nos prendem ao passado. Dito assim, parece um bocado redutor. Mas quem nunca ouviu desculpas como "Então e as minhas coisas?" quando o tema é mudar de vida? Ao ver a minha filha a crescer de dia para dia e a afastar-se cada vez mais do conceito de bebé, percebo que de nada nos vale apegarmo-nos ao passado, a fotografias penduradas na parede ou a caixas cheias de diários escritos por uma adolescente demasiado chateada com a vida para conseguir retirar dela algo positivo e cujas páginas repletas de raiva não me apetece mesmo nada reler. Relembro o minimalista Joshua Fields Millburn que atribui ao desapego uma sensação libertadora e que diz que as memórias não estão em caixas ou armazenadas debaixo da cama, mas dentro de nós.

Comecei por me ir livrando de roupa e livros que já não quero. Adoptei a máxima de me livrar de uma mala velha sempre que comprar uma nova, o mesmo para sapatos ou roupa. Vou destralhando o que posso a título imediato, como papéis velhos, embalagens deformadas, lápis de cera partidos, you name it.
Mas quando os meus pais me pediram para esvaziar aquele que foi o meu quarto, porque precisavam do espaço, e me deparei com livros que podiam encher uma biblioteca trilingue, entrei em pânico. Não só não tenho espaço para eles na minha casa, como nem sequer os quero guardar. Fiz uma selecção dos que (ainda) têm algum valor sentimental para mim, ou por estarem autografados ou por ter gostado tanto da história que gosto de me iludir com a ideia de que os vou ler segunda vez, e pus todos os outros em caixas para os vender aqui já este sábado.

Quando a amiga que vai vender comigo viu alguns dos livros que vou pôr à venda e me perguntou, meio horrorizada, "mas como é que és capaz de te livrar destes livros?", perguntei-lhe se ela os tinha voltado a ler (falávamos de livros de ficção de leitura obrigatória no secundário). A resposta foi não, tal como eu, nunca os tinha voltado a ler e provavelmente nunca os iria voltar a ler. Mas é só a ideia de possuir algo que fez parte da nossa vida e que acarreta tantas memórias que nos impede de nos desfazermos das coisas. Mas não creio que as memórias do secundário se desvaneçam quando me livrar daqueles livros. As memórias estão dentro de nós, não nas coisas. E, lição retirada dos meus tempos em Berlim, aquilo que não vemos não nos faz falta. Se não acreditam, experimentem guardar os livros do secundário debaixo da cama durante um mês e depois façam contas às vezes que precisaram deles ou foram folhear as páginas só para recordar. Ah, os livros estão no sótão há 15 anos? Ora, aí têm.

MUSIC BOX #7: música com vírus



Estava a ouvir esta música quando o meu computador do trabalho foi assassinado por um vírus maléfico. Não querendo pensar nas fotos e músicas que lá tinha, fora outros documentos deveras importantes, pois acabava por usar esse computador como computador pessoal sem qualquer backup reagular (big mistake!), uso agora o meu computador pessoal para o trabalho e dou uma segunda hipótese a esta música. Afinal, coisas realmente estranhas que acontecem a pessoas e computadores, só no Fringe, e o meu azar deve ter uma razão perfeitamente lógica.

Agora é desenterrar toda a minha veia optimista e torcer para que se salvem os meus ficheiros...

MUSIC BOX #6: The Truth Is



Em dia de concerto de Chrysta Bell no Lux (que fala assim numa voz muito cutchicutchi...), duvido que passe esta música no casamento a que vou hoje. Se passar qualquer música de que goste já vou com sorte, que isto de músicas em casamentos tem muito que se lhe diga e eu deixei de beber o suficiente para conseguir dançar feliz ao som de Bonga...

O monstro dos brócolos (ou como fazer um posto cheio de parêntesis)


Dizer que a minha filha come bem não corresponde lá muito bem à verdade. Dizer antes que ela está sempre pronta para comer e que costuma, salvo aqueles dias da breca a que toda a gente tem direito, comer tudo e o que mais houvesse, já se aproxima mais da verdade. Nós, como pais conscientes (?) e adeptos de uma cozinha natural e saudável, controlamos-lhe a ingestão de doces, tentamos convencer os avós a fazerem o mesmo (o que já é mais complicado) e tentamos aliciá-la com iguarias verdes e nutritivas. Até agora temos tido sorte, apesar de já ter pratos preferidos como, por exemplo, qualquer coisa que tenha arroz, recusar qualquer sopa passada (mas se tiver coisas a flutuar já marcha) ou coisas com cenoura (vá-se lá perceber porquê).
Toda a gente costuma ficar muito impressionada quando a vê comer, por não só comer bem, como por já comer sozinha e não falhar muito com a colher à boca. Além disso, não admite que alguém lhe dê comida e, se tentarem fazê-lo, é capaz de haver pratos a voar. Também tem génio, portanto...
Em todas as creches onde já esteve e, infelizmente, já teve em mais creches do que o desejável para alguém com tão pouca idade, foi sempre a bebé que comia melhor, alvo de admiração por parte de educadores, auxiliares e até de outros pais (acho que acabei de inventar aqui alguma coisa...), e sendo, por isso, conhecida como a "brutinha" (a comer, leia-se) ou a "lagartinha comilona" (por causa de um livro que lhe deram na creche por altura do seu aniversário, cuja indirecta eu percebi muito bem, muito obrigada!!).
Antes isso do que dar trabalho a comer, costumo eu dizer. Ou pensar. Na verdade, não sou dotada de muita paciência à hora das refeições. Já basta ter de repetir mil vezes que não se atira a comida para o chão (porque também ela gosta de brincar e experimentar com a comida), não se dá comida ao gato, nem se cospe comida para a roupa da mamã, quanto mais se ainda tivesse de inventar jogos para a distrair e convencer a engolir uma colherada de dez em dez minutos. Tenho sorte, nesse aspecto. É vê-la a comer brócolos (o orgulho do pai) ou a enfardar tomate cru (o orgulho da mãe), a chupar uma fatia de limão (a ocorrência foi devidamente registada!) ou a comer massada de peixe num ápice, enquanto vai soltando gemidos de satisfação. Nessas alturas costumamos ficar a olhar para ela, boquiabertos, sem querer acreditar muito bem por que é que a comida da avó é sempre melhor que a nossa.
Mas adiante.
Servia este post para dizer que a minha filha é a única bebé do mundo que, perante um banquete de arroz de peixe, mousse de chocolate, fruta, bolachas ou um prato de brócolos cozidos, ela se atira aos brócolos e despreza tudo o resto. Ok, ainda não experimentámos com a mousse... Anyway, desafio qualquer pessoa a provar-me que o seu filho também acha que brócolos cozidos são melhores que pizza.
Alguém?