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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

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Há 5 anos atrás tinhamo-nos conhecido há exactamente uma semana e combinámos uma espécie de encontro, num bar de amigos dele, numa noite em que ele e os amigos dele tinham o bar por sua conta e trataram de regar bem a minha mesa com vinho tinto do bom.
O resultado está à vista.

Mantendo a tradição de não oferecer prendas, mas sim passar tempo juntos e fazer coisas e ir a sítios a que normalmente não temos possibilidade de ir ou fazer, vamos comemorar com um jantar à maneira num restaurante da moda, seguido de um hotel requintado com uma promoção que veio mesmo a calhar. Estou com aquela vontade de me atirar para cima da cama de hotel limpa, fofinha, cheia de almofadas e sem mosquiteiro nem mosquitos dentro do mosquiteiro.

E prometo não beber tanto vinho como há 5 anos atrás.

5 anos.

Puxa.

Os pais dos outros

Não sei o que leva os pais dos coleguinhas da minha filha - falamos de crianças entre os 20 e os 36 meses - a oferecer, quando os filhos fazem anos, um saco cheio de chupas-chupas com pastilhas no interior e brinquedos desmontáveis em mil e uma peças passíveis de serem engolidas. Juro que não sei o que lhes passa pela cabeça. E tremo só de pensar que, quando a Inês fizer anos e nós oferecermos um saquinho de bonequinhos de pano e fruta desidratada, nos vão mandar prender por pendantismo ou excesso de zelo.

Estou a chegar



Já cá estou, mas às vezes parece que ainda estou lá. Ou como os moçambicanos dizem "Estou a chegar". Vou chegando, devagarinho, para não custar tanto de uma só vez.
Na verdade, não custou voltar. Não custou retomar a rotina. Não custou regressar ao trabalho. Porque já antes de chegar as saudades eram tais que nem consegui apreciar bem a última almoçarada no Mercado do Peixe em Maputo, as saudades eram tais, que me obriguei a dormir no avião para que o tempo passasse depressa, as saudades eram tais que, quando cheguei, quase não reconhecia a bebé que cá tinha deixado e que já não era assim tão bebé e até já dizia frases no pretérito perfeito e me deu tantos beijinhos que desejei que todos os dias fossem dias de reencontro.
E, de repente, foi como se nunca me tivesse ausentado. Desfeitas as malas, distribuídos os presentes, empilhados os 70 metros de capulanas que trouxe (...), o que custa mesmo é lembrar-me que fui e já voltei, o que custa mesmo é passar as fotografias para o computador e pensar que já lá não estou, o que custa mesmo é dizer tanto em tão pouco tempo, que é o tempo que me sobra no fim. O que custa mesmo é o frio que por cá faz. Ou não custa, na verdade. É que ouvir a minha filha dizer "Está friooooo!" sempre que saímos de casa, faz-me querer ir e voltar outra vez para me reapaixonar por ela a cada segundo.
O gato, esse, engordou. Patrão fora...

Anita vai para África

Para além do bebé que vi naquela aldeia com as pernas nuas cheias de lama seca e que despoletou em mim uma mini-crise de choro, num misto de saudades da minha piquena e de sentimento de impotência por não poder fazer muito para minorar a pobreza no mundo (e por questionar quem sou eu para julgar a qualidade de vida dos outros a avaliar pela minha), há uma coisa que me está a custar muito nestas férias. Os bichos. Os insectos. A bicharada toda que esvoaça, saltita e rasteja por esta África fora e me obriga a inspeccionar minuciosamente as redes mosquiteiras e a abrir as camas de lanterna na mão, como uma demente, que não tem outro nome. Eu não sou eu. Eu sou uma louca besuntada de repelente que treme deitada numa cama estranha, numa palhota chique cheia de aberturas para o exterior, com todo o tipo de traças e gafanhotos lá fora a quererem entrar (sim, quem disse que não há gafanhotos em Moçambique vai levar um açoite!), à espera do pai da minha filha, o homem que ainda vai tendo paciência para as minhas fobias, que foi ao bar ver o jogo do Benfica e eu só não fui com ele porque não consegui conceber a ideia de andar no meio do mato no escuro e ver coisas a saltar e desatar aos berros, como ontem, na casa ao pé da praia, onde imaginei ver e sentir um bicho que não deve ter existido noutro sítio que não na minha cabeça. Vivo em constante pânico.

Fora isso, as férias estão a ser do melhor!

Maputo

Depois dos leões na África do Sul e da passagem ainda por definir na Suazilândia, agora finalmente Moçambique. Fotos mete-nojo nos próximos dias. style="clear: both; text-align: center;">

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