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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

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Uma ou outra coisa sobre o desfralde

Ressentimentos à parte, a minha filha está uma crescida. Do alto dos seus 2 anos e... hmm... cinco meses? (uma pessoa às tantas perde-se), temos uma cachopa que ao final de uma semana de desfralde já está em perfeito controlo da coisa. Pronto, já passaram umas 3 ou 4 semanas e, vá, não totalmente em controlo, que não quero dar uma de mãe-mete-nojo, mas a verdade é que o desfralde correu tão bem, mas tão bem, que hoje em dia já só saio de casa com uma muda de roupa, só naquela de descargo de consciência, e não com 3 mudas e 3 sacos de plástico e mais um resguardo e o arco da velha como na primeira semana.
E como consegui isto? A juntar ao facto de ter uma miúda super ultra espectacular (!), que percebe as coisas e quer ser uma menina crescida e gostou tanto de ser promovida a utilizadora de cuecas que, num dia quente no parque, andou a mostrá-las a toda a gente (conversas sobre pudor só mais lá para a frente), acho que fizemos bem uma coisa: ou é ou não é. Se é para tirar a fralda, é para tirar a fralda, não há cá excepções e desculpas "ah e tal, vamos passar o dia todo fora, coitadinha da bebé".

Primeiro - e agora vou dar uma de guru de parentalidade que não sou - uma criança em fase de desfralde quer tudo menos ser tratada como um bebé. Uma criança em fase de desfralde (bem como em qualquer outra fase de promoção individual e crescimento), quer ser tratada com respeito e confiança. Temos de lhes mostrar que confiamos neles e que, mesmo que haja um descuido debaixo do escorrega no parque (check!), nós estamos prontos para resolver a coisa sem ralhetes nem recriminações. Porque os descuidos acontecem e eles ainda só estão no princípio. 
Quando oiço alguns pais queixarem-se que com eles está a correr tão mal e percebo que só lhes tiram a fralda em casa, dá-me vontade de lhes dar um calduço e perguntar: "Mas assim como é que vocês querem que o vosso filho perceba quando é que é para fazer na fralda e quanto é que é para pedir para ir ao bacio?" Se ele tiver a fralda - e uma fralda cueca é, ao fim e ao cabo, uma fralda e não uma cueca! - ele faz na fralda, ponto.
Segundo, o problema dos pais é serem preguiçosos e quererem sair de casa descansados sem ter de andar a perguntar de 10 em 10 minutos se o menino quer fazer chichi. Mas se não for agora, terão de o fazer mais tarde e é melhor aproveitar o facto de na creche já terem começado o processo.

Por isso, deixem-se de tretas, deixem, sim, os miúdos crescer. 
Está dito. Foi um bocado mete-nojo, mas estava-me entalado.

Quem diz a verdade...

Depois de um primeiro trimestre de gravidez completamente desinteressada das costuras, lá recuperei a vontade de costurar umas coisinhas para a descendência. Comecei por umas botinhas de bebé (imbuída de espírito maternal depois de ter visto o segundo aos pulos no ventre), mas que não me correram bem e estão à espera de dias melhores (ou do dia em que vou descobrir como enfiar uma coisa tão pequena debaixo do pé calcador - diz que é possível!).
Optei, então, por repetir terreno conhecido e fazer saias e vestidos básicos-mais-básico-não-há para a primogénita. O primeiro correu bem, vai daí, resolvi dar-lhe com força e repescar as capulanas que trouxe de Moçambique nas últimas férias.
Feita a "saia dos elefantes" que ela adorou mas que não lhe serviu (...), resolvi fazer-lhe outra saia, desta vez com as medidas certas. Não sei o que aconteceu, mas a saia passou de saia a blusa por um acaso inexplicável, com fita para o cabelo a condizer. No dia seguinte - hoje - mostrei-lhe, para a primeira prova, convencida de que ia gostar só porque o tecido tinha elefantes.
Quando lhe coloquei a fita na cabeça, foi-se ver ao espelho e saiu-se com um:
- Mamã, isto é do cozinheiro!
(Oi?)
E depois fez um esgar de dor para que lhe tirasse a fita.
Perdida por cem, perdida por mil, vamos lá experimentar a blusa.
Assim que a viu, a reacção não podia ser mais esclarecedora:
- Mamã, é feio!

E eu, literalmente com cara de cu, ainda ouvi o pai dela a rir no quarto e a vir a correr desmentir, por piedade ou sinceridade, não interessa agora, antes que me desse uma crise de choro de grávida. Não deu, mas, depois de pensar em colocar aqui uma foto dos espécimes, percebo que, depois disto, a minha auto-estima ainda não está completamente refeita.