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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Conspiração

Carrega uma pessoa dois fetos no ventre durante mais de 9 meses cada um, durante os quais vai sofrendo de enjoos, hemorróidas e excesso de peso, fractura o cóccix durante o parto e ganha uma contractura muscular no ombro algures pelo caminho, passa o primeiro mês com défice de sono e dores mas mamas e noutros sítios que não interessa mencionar, e quando olha para as miúdas, só, mas só vê a cara do pai.

Irra.

Abril ainda vai longe

Ao submeter o meu pedido de subsídio de maternidade durante 150 dias (dito assim parece muito, mas são uns escassos cinco meses) e perceber que a 21 de Abril já tenho de ir trabalhar, fiquei imediatamente deprimida. O facto de não trabalhar desde finais de Agosto pareceu-me totalmente irrelevante. Isso faz de mim uma boa mãe, uma má trabalhadora ou simplesmente uma incorrigível preguiçosa? É que neste momento, a realização profissional parece-me coisa do diabo e até já me apeteceu despachar a empregada e tomar eu as rédeas à casa. Mas depois lembrei-me que não gosto nada de limpar sanitas e convenci-me que é muito melhor pôr-me a ganhar dinheiro para mandar outros fazê-lo por mim. 
Assim vão as prioridades.

Reflexões do puerpério #3 (completamente aleatórias)

1. É chegada a época em que a minha roupa tem, frequentemente, nódoas de bolçada. Por vezes, também o cabelo. E já houve um ou outro esguicho de cocó. É aquela altura em que, a haver uma emergência no prédio ou em casa e a ter de sair à pressa, nunca sei bem com que aspecto demente me vou apresentar na rua.

2. Não sei por que é que os livros que mandam bitaites sobre recém-nascidos não fazem referência ao secador-de-cabelo-adormecedor-de-bebés. Comprovo que funciona, pelo menos até uma determinada idade. Vá, meses. Ok, dois ou três meses. Diz que a máquina de lavar roupa tem o mesmo efeito, mas é capaz de estar muito frio na marquise.

3. Ela às vezes põe-se a olhar para mim com os seus olhinhos de azeitona preta do Alentejo, como se se quisesse certificar de que o colo continua a ser meu, a incubadora-progenitora, e pergunto-me se já conseguirá distinguir o meu vulto e, especialmente, os meus olhos, pois é neles que se fixa, fazendo-me sempre sentir uma pessoa deveras importante.

4. A mais velha hoje de manhã disse "mamã, a mana é tão querida!" e eu só tive vontade de chorar.

5. Deixei de tomar café e nem dei conta. Por outro lado, ontem comi um salame e só consegui esconder o facto até hoje de manhã, quando ela acordou com duas grandes borbulhas na cara. Ora, vamos lá passar em revista o que comeste ontem?

6. Ia fechar o ciclo e voltar a falar em cocó e derivados, mas acho que não há mesmo necessidade disso.

Passos de tartaruga

Estando a recém-nascida a ganhar bochechas auspiciosas de uma boa alimentação e estando a mãe, finalmente, a livrar-se das dores do pós-parto e de outras que tais, ansiosa por apanhar com o sol de Inverno nas trombas e de dar uns bons passeios para afugentar definitivamente as dores no pescoço, resolvi (ou o pai resolveu por mim) começar a dar pequenos passeios diários pelas redondezas. No primeiro dia fomos, eu e a bebé - sempre muito bem resguardada não se desse o caso de me perguntarem quanto tempo tinha e me acusassem de negligência por andar já a laurear a pevide com tão novo rebento - fomos, dizia, ao hospital levantar os papéis da alta, antes que se perdessem no labirinto burocrático da instituição. No segundo dia fomos a pé até à farmácia, o que correspondeu a uma meia-maratona de 500 metros que a petiz fez sempre de olho aberto atenta aos ruídos do mundo. No terceiro dia, hoje, resolvemos arrojar verdadeiramente e arriscámos ir até aos correios, ribanceira abaixo, double check no chassis da alcofa, enviar o nosso contributo para duas campanhas solidárias, tão prolíferas nesta época. Depois disso, foi a autêntica loucura: atrevi-me a parar num café, comprar uma aguinha e um bolo altamente calórico e sentar-me num banco ao sol a ler a revista da Bimby deste mês...
How lame is that?

Isto tudo para dizer que há aí duas campanhas solidárias em que não custa nada participar e apelar, assim, ao vosso altruísmo: o Banco do Bebé precisa de roupinha usada de bebé e criança, fraldas, artigos de higiene, etc. (informações aqui) e a associação Sorrisos de Julinha vai receber todos os lucros da venda dos vossos livros usados (informações aqui). Eu que ando sempre à cata de oportunidades para dar nova utilidade aos meus livros, despachei logo cinco!



Coisas que se fazem quando não se tem nada para fazer #1

(Breve pausa nos devaneios puérperos)

Lembram-se da manta de retalhos que queria fazer aqui e depois já não queria fazer aqui?
Com isto da gravidez de risco e de não poder estar muito tempo de pé por ordens médicas, adiei um e outro projecto e acabei por ir fazendo, no vagar dos meus dias de grávida, uma capa de edredão normal. 


Não satisfeita com o resultado simplório simplista, afinal uma capa de edredão qualquer um consegue fazer (certo?), resolvi aproveitar as sobras do tecido e costurar um cortinado que fizesse pandan com a colcha e fosse bem mais girly do que aquele que lá estava (que não condizia desde o início, mas acabou por ficar pendurado mais de um ano...).




Devia fazer a outra metade do cortinado, mas depois aborreci-me. Assim como assim, a janela é pequena e o sol só bate directamente das duas às quatro. E outros projectos me aguardam, pois.

Terra de ninguém

Se, das raras vezes que agora saio à rua, me virem com as calças no fundo do rabo, não estranhem. Não aderi à moda hipster ou coisa que o valha, mas desde há uns dias que, no meu roupeiro, há ali um espaço vazio onde deveriam estar as roupas que me poderiam servir no puerpério, mas não servem, porque não as tenho. Se as calças de grávida me caem a cada passo, as minhas calças mais largas de não grávida nem sequer estão perto de abotoar. Os ponteiros da balança vão descendo com parcimónia, não fosse cada uma das minhas mamas pesar 3 quilos e já estar na fase de, de cada vez que acabo de amamentar, me apetecer comer oito Twix. Pelo menos. O que interessa é que agora nunca sei o que vestir e a culpa já não é do tempo. Estou assim numa espécie de terra de ninguém do peso e das roupas, ou, se nos abstrairmos da futilidade da coisa, num perigoso limbo entre o baby blues e aquilo a que chamo a descontracção do segundo filho. Se, por um lado, com o segundo é tudo mesmo mais fácil, por outro lado o pós-parto, esse, continua a ser aquele grande filho da mãe. Mas está tudo bem.

Silly Season

Nestes dias o mais provável é que este blogue se concentre quase exclusivamente em questões maternais e pueris, posto o que, se não estão para isso, podem voltar mais tarde que eu não me chateio. A sério.
Aos outros, àqueles que continuam a cá vir sabe-se lá porquê, peço apenas um pouco de paciência. Diz que quando o chato do pós-parto acabar este blogue deverá voltar à sua dinâmica habitual. Ou não. A verdade é que tenho muita vontade de escrever*. A realidade é que nem sempre consigo. De qualquer maneira, activem o Feedly. Não vos quero cá em vão.


*e de mudar o header do coiso, mas, oh, isso terá de ficar para outra vida.

Da amamentação

Queria encontrar algum glamour para descrever isto, mas não sei se vou conseguir.
Pergunto-me se a Jennifer Connelly, que teve três filhos e se mantém linda e maravilhosa, ou a Heidi Klum, que também teve uma pequena manada e cuja condição física dispensa comentários, terão amamentado. Vamos pensar que sim e imaginar que as seguintes situações aconteceram com elas e, hipoteticamente, não comigo. Certamente que ninguém sente repulsa ao imaginar os seios da Heidi Klum duros como pedras aquando da imperdoável subida do leite ou a Jennifer Connelly a acordar a meio da noite trinta mil vezes para dar de mamar e mudar os discos absorventes empapados e, já agora, o soutien e a parte de cima do pijama que levaram por tabela. De certeza que estes cenários não causam espasmos faciais a ninguém acompanhados de sons de bleck e línguas de fora. Amamentar é bonito e sexy e não há qualquer razão para, a meio da noite, me sentir a Susan Boyle afónica. E é isto.

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