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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

A rapariga até é de letras e tem a mania que sabe o que é literatura


A minha mãe, que é fã daquele famoso escritor que é também apresentador de televisão do canal público, não sei se estão a ver quem é, convenceu-me a trazer um dos best sellers do senhor. Garantiu-me que era muito bom, um autêntico page turner, embora não tenha usado esta expressão, e que era o livro ideal para ocupar a minha mente cansada. - Ainda ontem não fui capaz de dizer a data de nascimento da mais nova sem me enganar duas vezes e, logo a seguir, inventei, sem querer, o meu número de telemóvel. Assim vão as coisas. - Já tinha lido um romance dele, o primeiro, que não achei nem bom nem mau, mas aquela cena de amor demasiado ao jeito dos livros da Harlequin deu-me, muito sinceramente, vontade de rir e só por causa disso achei-o, afinal, um bocado pobre.

Lá trouxe o livro para casa, convencida de que se fosse uma espécie de Dan Brown português a coisa até seria agradável, visto que durante as mamadas da noite confesso que os meus olhos e a minha mente precisam de algo estimulante e com o nível de dificuldade da banda desenhada do Tio Patinhas.
Mas este livro... Por onde hei-de começar? Pelas palavras em estrangeiro pretensiosamente colocadas por dá cá aquela palha, que mais parecem serem obra de vaidade do que propriamente para dar alguma veracidade aos diálogos? Aposto que a maioria dos leitores deste senhor não sabe inglês e estou mesmo a ver a minha mãe aos papéis em certas passagens.
Depois há a infantilização da personagem principal, um historiador e criptógrafo de 40 anos que é tratado pela mãe como se ainda tivesse 12 anos e que, apesar da sua implícita literacia, revela ter a cultura geral de uma minhoca. Além disso, nos diversos diálogos que mantém com outras personagens o leitor fica mesmo com a impressão de que a sua idade mental não será 12, mas 18. Os diálogos são todos um pouco adolescentes... as cenas de engate, então, de bradar aos céus. E depois aquele diálogo-monólogo enooorme com o pai dele não passa de masturbação científico-religiosa-intelectual.

Confesso, estou a ter dificuldades com o calhamaço. Achei o Ulisses bem mais fácil de ler e até esse ficou pendente ao nono parágrafo. Mas vou insistir para perceber como raio é que este senhor vende milhares de livros de uma assentada. Já deixei livros a meio por menos, por isso é bom que nas próximas 50 páginas a coisa comece a ficar interessante.

Querida Alexandra, perdoar-me-ás por te ter interrompido por isto?