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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Avó

Esta madrugada, a minha filha mais velha acordou várias vezes a chorar, aos gritos, inconsolável com qualquer desgosto, pesadelo ou maleita que nunca nos confessou. Não é a primeira vez que acontece, mas desta vez o episódio foi bem mais longo e intervalado por breves períodos de sono leve. Das duas às cinco acudi eu, a partir daí entrou o pai de serviço, tendo os dois acabado por adormecer, exaustos, em cima do tapete.
De manhã, quando acordou, ela de pouco se lembrava, nem eu na altura já o sabia, mas agora consolo-me em pensar que talvez a minha filha estivesse já, sem o saber explicar, a chorar a morte da avó velhinha que partira nessa madrugada.

A minha avó.

Hércules

Se o teu namorado te oferecer um voucher de 4 sessões de Personal Trainer pelo Dia dos Namorados, isto só pode querer dizer uma coisa: já te queixaste várias vezes que estás gorda, ele já não te pode ouvir sabe como isso te incomoda e só quer ver-te feliz! Tenho a certeza que foi isso que ele pensou quando decidiu oferecer-me 4 sessões de puro sofrimento. 
Confesso que foi uma surpresa. Especialmente porque já tinha lido num ou noutro blogue as experiências que algumas bloggers famosas têm tido com o mesmo PT que me calhou. Falta-me a fama, é certo, mas de falta de proveito não me posso queixar. E quando esse proveito vem na forma de 540 agachamentos feitos em vinte minutos, melhor ainda.
A primeira sessão foi hoje. Ele avisou-me que amanhã ia ter "algumas" dores nas pernas, mas a verdade é que pôr a loiça na máquina depois do jantar já me pareceu uma tarefa hercúlea. Nem sei como é que ele quer que eu vá correr amanhã. Ah e tal, é por causa do ácido láctico e coiso. Exercício com exercício se paga.

É como curar uma ressaca com mais bebida. Só que sem o prazer da bebedeira.

Pica-miolos

Quando tenho de sair de casa para a pequena adormecer, é porque algo está mal. Felizmente posso dizer à boca grande que o mal não está em mim. Ou nela. Nunca vi bebé mais fácil para adormecer. Agora já nem recorro ao secador. É só mesmo o impensável: deitá-la no berço, pôr-lhe a chucha, ligar o bonequinho de berço que toca músicas de algum compositor austríaco da era renascentista e pronto. Até tenho vergonha de dizer isto, mas é mesmo assim de fácil (também é muito isto.) Só me dá vontade de enchê-la de beijos, mas depois acordava-a, por isso limito-me a saltitar corredor fora.
O problema é mesmo durante o dia. Os vizinhos ainda estão em obras, ainda não me taparam o buraco como deve ser e sempre que começo a ouvir martelar, além de a miúda acordar e ter dificuldade a pegar no sono com tamanha barulheira, despertam-se em mim os mais odiosos instintos vingativos. Algo me diz que vou ter problemas a simpatizar com a nova vizinhança.

Solta o escritor que há em ti

Tinha feito uma pré-inscrição para o curso de Escrita Habitual da Dora. Mas, depois lembrei-me que seria complicado conjugar um dia inteiro de escrita fora de casa com uma bebé que ainda mama em exclusivo. Das duas uma: ou a levava, coisa que a Dora apoiou de imediato, mas me arriscava a ser expulsa da sala pelos outros participantes furiosos que pagaram para se concentrar e não para ter um bebé choramingas ali ao lado, ou deixava a Alice com o pai e ia munida de bomba extractora de leite. Nenhuma das opções me pareceu viável. Falei com a Dora e ela compreendeu. Não há como não compreender. Só não se compreende como é que eu não pensei nisso antes. Adiante.
Há, portanto, uma nova vaga para este curso que promete ser espectacular, a avaliar pelo sucesso do curso no Porto.
O curso vai ser das 9 às 18h na LX Factory, tem direito a passeio para inspirar e custa o preço de um dia bem passado mas sem esvaziar a carteira.
Eu ia. Mas, pronto, vai ter mesmo de ficar para a próxima.

Exploração

O senhor onde fui deixar o carro para lavar e aspirar fez-me um preço muito em conta. Tão em conta que, no final, recebeu menos por hora do que a minha mulher a dias. Como o carro estava mesmo muito sujo, senti-me mal e deixei-lhe uma boa gorjeta. Mesmo assim, continuou a receber menos do que a minha mulher a dias. Já não é preciso comprar roupa na Zara para apoiar a mão de obra escrava. Basta ir ali à garagem da rua de trás.

Não parece, mas vai falar-se de merda

O andar de cima, anteriormente ocupado pelos vizinhos mais barulhentos que se possa imaginar, foi recentemente vendido depois de estar seis meses vazio, seis meses de puro paraíso para os meus ouvidos. O novo proprietário decidiu que queria renovar o apartamento de alto a baixo - literalmente e contando com o andar de baixo. É que, depois de duas intensas semanas do barulho mais infernal que possam imaginar, o tecto da casa-de-banho começou a cair. Tecto meu, chão dele. Avisou-se o mestre de obras, mas ainda assim caíram mais uns quantos calhaus. O que era antes um tecto liso por cima da sanita, é agora um buraco tapado mal e porcamente com pedras e tijolos que estão na iminência de cair sempre que alguém se senta na sanita. Podia agora fazer um trocadilho com a famosa expressão "arrear o calhau", mas parece-me bem mais divertido dizer que a única maneira de conseguir cagar sozinha na casa-de-banho é pôr a minha filha mais velha do lado de fora a contar quantos segundos demoro. Treze. Sou provavelmente a mulher mais rápida a cagar de que já ouviram falar. É isso ou tê-la ao pé de mim a querer limpar-me o rabo e averiguar o grau de pureza do meu cocó. (Além disso, agora é urgente reduzir ao máximo o tempo passado na sanita, não nos vá cair o resto do tecto em cima.) Portanto, treze. Atrevam-se a fazer melhor.

Quaresma Infiel, 2ª edição



Amanhã começa a Quaresma.
Para quem não leu o post do ano passado onde explico os princípios básicos da nossa Quaresma, as nossas motivações estão longe de serem religiosas. Tanto que a denominámos de Quaresma Infiel. E do que trata a Quaresma Infiel? Trata-se de apanhar a boleia dos 40 dias previstos no calendário litúrgico (na verdade, oficialmente são 46 dias, nós é que só contamos 40) que separam o Carnaval da Páscoa, durante os quais observamos hábitos salutares adaptados à nossa rotina e às nossas necessidades que visem alcançar bem-estar físico e espiritual. Podem ler os pressupostos da Carta de Princípios da Quaresma Infiel aqui, mas vou voltar a relembrar os pontos básicos. Sublinho que, apesar de nos basearmos na ideia da Quaresma cristã, estas medidas foram designadas por nós e para nós sem qualquer ligação directa com nenhuma doutrina religiosa. É uma espécie de desafio anual dos 40 dias. Só que tem mais piada chamar-lhe Quaresma Infiel. Eu cá gosto.

Então, assim, já a partir de amanhã e durante quarenta dias, para limpar o corpo vamos:

- cortar nos doces, no álcool e no pão (que é um verdadeiro problema para mim). Estar 40 dias sem álcool para quem está a amamentar é quase fazer batota, mas a verdadeira provação vai ser resistir aos doces nas duas festas de aniversário que já temos marcadas e no batizado mesmo no finalzinho da Quaresma;

- implementar uma alimentação mais saudável e voltar a incluir sumos verdes durante a manhã e um jantar mais leve com sopa e salada (o homem vai ainda fazer um dia de jejum por semana, coisa a que eu estou, felizmente, dispensada);

- praticar mais exercício físico; a amamentar e com um bebé para cuidar, não sei se vou conseguir praticar exercício todos os dias, mas, na verdade, com um ginásio que tem amas que nos ficam com as crianças enquanto vamos treinar, não há grande espaço para desculpas, certo?

Para limpar a mente, vamos:

- meditar (o ano passado tentámos meditar, mas a coisa não correu muito bem e este ano ainda não falámos nisso a sério e eu quero ver se a coisa passa despercebida, portanto, próximo ponto…)

- cultivar a nossa espiritualidade e intelecto e cortar nas séries de entretenimento fácil (talvez com excepção para True Detective, visto que falta só um episódio para acabar a temporada e andamos verdadeiros fãs do McConaughey…). Os nossos serões vão ser ocupados com actividades lúdicas e pedagógicas, como ler, escrever, praticar os nossos hobbies (no meu caso, costura e crochet) e ver documentários didácticos e interessantes (diz ele…) apenas duas vezes por semana.

- cultivar o amor ao próximo e reflectir sobre a nossa vida, família, sonhos e ambições, mas, na verdade, com a minha filha mais velha que consegue pôr-me a reflectir sobre que pessoa sou e que pessoa quero ser mais de vinte vezes por dia, acho que já estou servida nesse campo…

É basicamente isto. 
Estou verdadeiramente entusiasmada com a Quaresma Infiel este ano. O ano passado fui meio arrastada, mas este ano, motivada pela vontade de perder os quilos maléficos que me possuem, resolvi apoiar o homem a cem por cento nesta investida. Ele está motivado por me ver motivada e eu, aqui que ninguém nos ouve, estou motivada porque quero mesmo perder peso e preciso de um empurrãozinho. Nestas coisas gosto de marcar data. Pesar-me. Medir-me. E  levar a coisa a sério. 
Mas não interessam as razões. O que interessa é ter fé.

Fuga

Hoje é dia de workshop no sítio do costume. O homem fica cinco horas sozinho com as miúdas, e sem carro, coisa nunca antes vista. Deixo-lhe leite para o biberão, não meu, que assim quis o destino e a minha preguiça, e a promessa de não ficar na conversa no fim do workshop. Por muito mal que isto me fique, estou deserta de me pisgar daqui para fora e só voltar à hora do jantar. Só tenho pena que o rádio do carro já não leia cds.

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