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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Com a calma do caracol


Há um lugar para onde costumamos ir aos fins-de-semana onde o tempo anda mais devagar. Neste lugar, a roupa cora ao sol no estendal preso nas árvores e o vento abana aquela portada que fica sempre mal presa. Acordamos sempre todos muito cedo porque o sol entre pelas frestas das portadas e as crianças ganham imediatamente vontade de serem crianças. Da janela do quarto delas vemos o poço e as laranjeiras. O gato, que por ali anda atrás dos outros gatos, ainda tem medo do cão, mas já não se eriça tanto. Vai-se habituando, também ele, à nova calma.


Os pequenos-almoços são ricos, com ovos, tomate e fruta do cabaz biológico que vieram entregar na sexta à noite, e chá feito com folhas verdadeiras de hortelã e erva cidreira. Quando estamos sem imaginação, energia ou cabazes, vamos ao café comer, onde sabem o nome das minhas filhas e, descobri eu ontem, também sabem onde moramos. Há-de ter as suas vantagens morar num meio pequeno. Penso sempre que, num momento de aflição, não me faltará quem me possa acudir. Por outro lado, tenho de ter muito cuidado com quem meto dentro de casa para me passar a roupa...

Nos dias de calor convidamos os amigos, montamos a piscina no quintal, comemos lá fora e deixamo-nos ir ao sabor dos dias pachorrentos. Todos gostam muito de nos vir visitar e nós gostamos cada vez mais de estar aqui, neste lugar que deixará de servir apenas aos fins-de-semana para tomar o carácter permanente e definitivo das casas que marcam uma vida.

As obras que estavam previstas para agora foram uma grande dor de cabeça e não vão começar. Decidi ontem, enquanto lavava os dentes antes de ir para a cama, que talvez fosse melhor adiá-las para o ano, deixemo-nos instalar e recuperar da mudança e ao longo do inverno logo prepararemos as obras melhor, sem pressão deste ou daquele, sem mais stresses, sem decisões precipitadas. Às vezes, para dar um passo em frente, é preciso parar e respirar e deixar as coisas tomarem o seu lugar ao seu ritmo. Vai-se a ver e os lugares-comuns também encerram muita verdade.

Disse-lho e também ele pareceu ficar muito aliviado. Como é que não tínhamos pensado nisto antes, é coisa que me ultrapassa.
Só temos é de voltar a pintar a parede.