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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

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A Heidi, o Cutchi e uma noite de lágrimas

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 Ontem a Inês chorou pela primeira vez de emoção ao ver uns desenhos animados. Era a Heidi, naquela parte em que ela parte para Frankfurt para estudar na escola e deixa o avô e o Pedro nas montanhas. As lágrimas caíam-lhe cara abaixo e ela bem tentava secá-las com a mão, mas quando se apercebeu que estava a ser observada começou a chorar copiosamente. Achei super ternurento, especialmente porque ela nunca admitiu estar a chorar por causa de um filme, mas disse que se tinha lembrado do Cutchi, um balão golfinho que foi para a lua, e que tinha muitas saudades dele. Pois claro.

 

Lembrei-me de mim, um pouco mais velha do que ela, quando a minha mãe me apanhou a chorar por causa de uns desenhos animados (o avô da menina tinha morrido, há lá coisa mais triste?) e eu não fui capaz de admitir a verdadeira razão porque chorava (ou teria já medo que me achassem ridícula?) e disse que me estava a chorar porque ainda não tinha feito os trabalhos de casa.

Acho que a minha mãe não acreditou: eram seis da tarde de uma sexta-feira...

 

Não sei quem nos mete na cabeça desde pequenos que faz mal chorar. A culpa será provavelmente dos pais e educadores que passam a vida a dizer "Vá, não chora" quando acho que chorar é, muitas vezes, além de involuntário, uma excelente forma de lavarmos a alma. Eu admito que sou a primeira a chorar num filme (e noutras ocasiões...). E acho super ternurento que a minha filha, com quatro anos e meio, já tenha a sensibilidade e empatia suficientes para perceber o drama nuns desenhos animados e chorar como se percebesse exactamente o que os bonecos estariam a sentir.

Se calhar é melhor não a pôr já a ver o Bambi...