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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Aquela nostalgia de ter um bebé

Tivemos a ideia de (copiar a ideia original de uns amigos e) fazer um álbum de fotografias da primogénita que abrangesse os seus primeiros dois anos de vida, incluindo o período de gestação, o parto, o hospital, as primeiras semana de vida, os marcos mais importantes, até aos dias de hoje, para ela perceber a viagem que a mana está a fazer e o que lhe vai acontecer, tal como aconteceu com ela.
 
Ao percorrer os milhentos álbuns de fotografias digitais que temos dela para escolher as fotos que melhor retratam o pretendido, sinto uma nostalgia tal dos seus tempos de bebé que, se não estivesse já grávida, seria este o momento em que decidiria ter mais um filho.


Só espero que isto não me aconteça muitas vezes.

No mundo tramado das mulheres

Ora, então, temos mais uma menina. A parte do reaproveitamento de roupas, brinquedos e mobília está facilitada, assim como está resolvida a questão logística do quarto e do tipo de camas que vamos comprar agora que a primogénita está prestes a ser promovida para uma cama de crescido.
Por outro lado, confesso que, quando o ecografista me perguntou se conseguia ver, estive tanto tempo à procura da pilinha, que quando respondi "É uma menina", foi a medo. É que a pilinha podia estar escondida! Mas não estava, porque não havia pilinha ("É uma rapariga! Então mas não se vê logo? Ai, ai, ai...). E se é verdade que fiquei contente à mesma, especialmente por saber que ela tem todos os dedinhos dos pés no sítio (o que interessa é vir com saúde, já diz a minha avó!), também é verdade que ficava muito contente se fosse um menino. Não é só o desejo do desconhecido. Já sei o que é ter uma menina, já tenho a quem pôr lacinhos e vestidinhos e com quem brincar aos Pin y Pons e a quem explicar daqui a uns anos o que é o período. Já agora que vou ter outro, gostava de saber o que é ter um menino. 
Mas vai muito para lá da curiosidade básica. Provavelmente, isto vai parecer uma grande estupidez, mas afigura-se-me mais fácil conseguir multiplicar o amor por duas criaturas de sexos diferentes. É como se, por serem menino e menina, tivessem de ser naturalmente diferentes (e não estou só a falar dos órgãos reprodutores) e fosse mais fácil e justo amá-los com equidade, apesar das suas características tão "diferentes". Além de que a intrínseca competição feminina que começa logo inconscientemente na gravidez com o mito "é menina se a mãe ficar feia grávida, pois a filha está a roubar-lhe a beleza" desempenha um papel tramado.
Eu sei, isto é um grande disparate. Mas venho de uma família de mulheres que tiveram filhas mulheres que tiveram filhas mulheres, cuja educação foi, em todas as gerações, marcada por resquícios de uma educação matriarcal menos positiva e que acabou por culminar em irmãs que deixaram de falar com irmãs e mães que deixaram de falar com filhas e filhas que deixaram de falar com mães (são coisas diferentes!) e que, consequentemente, sempre foram mais chegadas aos pais, aos maridos, ao avô, ao gato, desde que fosse do sexo oposto. 
Por isso, acho que sempre tive um pânico secreto de ter só filhas porque, pensava eu, inevitavelmente a nossa relação iria ser conflituosa, difícil ou chocante. Afinal está-nos nos genes e só um rapaz teria a capacidade de quebrar a corrente. E acalmar a histeria (imaginem uma casa só de filhas antes de um concerto de Justin Bieber... credo...).
Mas a verdade é que a minha ainda primogénita filha me adora. Ainda me prefere a mim, é ainda a mim que ela chama à noite, é ainda comigo que ela prefere estar. O pai sabe disto, admite isto, não há muito que ele possa fazer (porque também sabe que não vai ser sempre assim), mas até gosta que assim seja porque sabe que esta ainda preferência em muito ameniza as minhas inseguranças de mãe. E mesmo que eu lhe ralhe mais bruscamente um dia, ou lhe dê uma palmada a sério, como já aconteceu uma vez, mas não é coisa para repetir muito, ela sabe que, no quadro geral, eu não sou má mãe, não sou cruel, injusta, ressabiada, controladora, dependente. Ela sabe. Eu sei. Por enquanto. O meu problema é como serei com duas daqui a uns anos, como o modo como eu sou com elas, em conjunto e individualmente, terá repercussões na sua relação uma com a outra, como me conseguirei manter justa e fiel aos meus princípios quando me começar a identificar mais com uma do que com outra, porque uma é mais dócil comigo, mas a outra é mais parecida comigo. 
Oh, tarefa ingrata. É claro que não estou só. O pai, vindo de uma background completamente diferente, ajuda-me e vai continuar a ajudar-me a ser a mãe que quero ser e não a cingir-me ao único molde de mãe que conheço. E eu vou tentando melhorar a cada dia que passa e não ficar demasiado presa às expectativas. 
Cinjamo-nos, primeiro, à complexa tarefa de escolher o nome, que já não está a ser nada fácil. Será que não é possível esperar pelo parto, olhar para a cara dela e dizer logo "Olha, afinal tem mesmo cara é de Pancrácia!"? O assunto ficava logo arrumado, que mania esta de complicar...

Nova etapa

Se isto fosse um baby blog cheio de smileys e coraçõezinhos, eu agora enchia as outras mães de inveja ao dizer que ontem à noite a minha filha, do alto da maturidade dos seus dois anos, seis meses e uma semana, me pediu para dormir a noite toda sem fralda e foi um autêntico sucesso! Mas como isto não é um baby blog, vou ali só comprar mais resguardos para a cama e rezar para que ela não molhe os lençóis até aos 8 anos, como muita boa gente que conheço...

Benefícios das aulas de Yoga no âmbito doméstico

E o momento What the Fuck? estampado na cara de assombro da minha filha quando, para a acalmar no auge de uma birra diabólica, me sentei com ela e lhe disse "Inspira! Expira! Vá, tu consegues! Assim, inspira, expira! Também podes acompanhar com Oommmm..."
Juro que lhe li no rosto "A mamã pifou de vez", com direito a sobrolho franzido e tudo, mas o que interessa é que resultou. Ficou tão pasmada a olhar para mim, que se esqueceu de continuar a chorar.

Para a próxima, sem gato

Há coisa de um ano, uma amiga contava-me como a sua filha, na altura de dois anos e meio, já fazia companhia quando iam passear as duas e, por exemplo, se sentavam numa esplanada a comer um gelado.
Não duvidando que assim fosse, não conseguia perceber bem até que ponto é que uma criança tão pequena podia fazer companhia mais do que nos obrigar a estar constantemente atentos aos seus movimentos. "Mas vocês conversam?", perguntava eu, incrédula, "E falam sobre o quê?" E a minha amiga ia-me relatando as conversas básicas que tinha com a filha, sobre o gelado que estava tão bom, sobre o menino que estava a chorar duas mesas ao lado, sobre os pombos que vinham comer as migalhas, sobre o estado do país. Ok, esta última era a brincar.

Não há muito tempo voltei a lembrar-me desta conversa. Porque comecei a sentir isso mesmo, que a minha filha agora, com quase dois anos e meio, me presta mais companhia do que me faz andar atrás dela quando vamos passear. Se nos sentarmos as duas numa mesa de café a lanchar ou simplesmente a comer um gelado (um Corneto inteiro para cada uma - sim, sou uma má mãe!), é tão agradável que eu desejo, por instantes, que o momento se prolongue indefinidamente. Costumamos falar sobre o gelado que está tão bom, sobre o que se vai passando ao nosso redor, sobre o que vamos fazer a seguir e o que já fizemos, e, invariavelmente, acabamos com uma série de disparates que envolvem fotografias, troca de gelados, bocas lambuzadas e barrigas de abade.

Como hoje, na Feira do Livro. Foram mais de quatro horas sempre muito cúmplices e divertidas, com direito a ida ao parque porque chegámos cedo de mais, conto infantil da Formiga Juju, compra de livros da Miffy e da Anita, almoço e gelado. Até consegui comprar mais um livro para mim (ai, ai...). E, se não fosse o raio do gato de  peluche de um metro e oitenta que se veio meter com ela logo no início, a coisa teria corrido muito melhor...

O lobo mau e outras histórias




Desde que comecei a ler histórias à pequena à hora de deitar, que me preocupo em "ler-lhe" só aquilo que interessa. Ou seja, as histórias infelizes que apareceram lá por casa, que ela é que escolhe para ler, que eu nunca recuso (mas devia!) e que ainda ninguém se lembrou de considerar como altamente nocivas para menores de 8 anos, como o Pequeno Polegar (história de uns pais pobres que, por não terem dinheiro, decidem abandonar os seus 7 filhos na floresta não uma, mas duas vezes!) ou o Capuchinho Vermelho (história de uma menina que, por ter desobedecido às ordens da mãe para não ir pela floresta, acaba perseguida por um lobo que a quer comer e vê a sua avó ser sacada da barriga do dito - macabro, para dizer pouco!), têm um desenlace completamente diferente quando lidas por mim.
Ou tinham.

Até há bem pouco tempo, o lobo não comia a avó, estava era atrás dos queques de laranja que a Capuchinho levava no cesto e tinha combinado com a avó, de quem era amicíssimo, pregar um valente susto à Capuchinho, mas na mais inocente das brincadeiras. A avó estava escondida no pomar por trás da casa a rir-se à socapa e o caçador apareceu ali por um mero acaso, não sendo caçador, coisa nenhuma, mas um inocente observador de pássaros.
Quanto ao Pequeno Polegar, os irmãos tinham decidido iniciar, sozinhos, uma excursão pelo bosque à procura de um tesouro escondido no palácio do gigante para ajudarem os pais pobres. Tão simples quanto isto.

Mas alguém se lembrou de lhe ler a história do Capuchinho toda, na íntegra, sem tirar nem pôr, tal como vem no livro, a pensar que a miúda não percebe ou que as crianças são imunes à crueldade da selecção natural (ou não tão natural assim). De modos que, vai disto, um dia a pequena diz-me: "Não, mamã, o lobo comeu a avó."
...

A partir daí, depois de me ter gelado o sangue no corpo, não tive outro remédio senão ler a história original, poupando-a apenas aos pormenores mais sádicos. Dar um tiro no lobo mau?? Abrir-lhe a barriga? Santo deus. Já agora, não querem já pôr miúdos de 2 anos a ver o Saw?

Mas agora a cachopa não faz senão falar do lobo mau. É o lobo mau que está no parque escondido atrás da árvore, é o lobo mau que está na cozinha, debaixo da toalha da mesa, é o lobo mau que lhe vem tirar a chucha, fora todas as vezes que o vê e não me diz. 
Não lhe pressinto nenhum medo nas suas visões, parece-me, antes, que é algo que a diverte. De qualquer maneira, tento sempre amenizar-lhe futuros medos quando lhe digo que temos de dar maçãs e cenouras ao lobo mau (e nunca coelhos ou ovelhas, credo) porque ele só tem fome e não faz mal nenhum. Mas o tempo dos pesadelos aproxima-se. E cheira-me que já sei qual será o primeiro protagonista.

Agora que penso nisto friamente, acho que o melhor é dar sumiço a certos e determinados livros e chicotear-me cem vezes por ainda não o ter feito. A miúda ainda é muito novinha para alimentar o imaginário com monstros e bichos maus. Ele já tem medo de moscas, por deus! Moscas...

Quem diz a verdade...

Depois de um primeiro trimestre de gravidez completamente desinteressada das costuras, lá recuperei a vontade de costurar umas coisinhas para a descendência. Comecei por umas botinhas de bebé (imbuída de espírito maternal depois de ter visto o segundo aos pulos no ventre), mas que não me correram bem e estão à espera de dias melhores (ou do dia em que vou descobrir como enfiar uma coisa tão pequena debaixo do pé calcador - diz que é possível!).
Optei, então, por repetir terreno conhecido e fazer saias e vestidos básicos-mais-básico-não-há para a primogénita. O primeiro correu bem, vai daí, resolvi dar-lhe com força e repescar as capulanas que trouxe de Moçambique nas últimas férias.
Feita a "saia dos elefantes" que ela adorou mas que não lhe serviu (...), resolvi fazer-lhe outra saia, desta vez com as medidas certas. Não sei o que aconteceu, mas a saia passou de saia a blusa por um acaso inexplicável, com fita para o cabelo a condizer. No dia seguinte - hoje - mostrei-lhe, para a primeira prova, convencida de que ia gostar só porque o tecido tinha elefantes.
Quando lhe coloquei a fita na cabeça, foi-se ver ao espelho e saiu-se com um:
- Mamã, isto é do cozinheiro!
(Oi?)
E depois fez um esgar de dor para que lhe tirasse a fita.
Perdida por cem, perdida por mil, vamos lá experimentar a blusa.
Assim que a viu, a reacção não podia ser mais esclarecedora:
- Mamã, é feio!

E eu, literalmente com cara de cu, ainda ouvi o pai dela a rir no quarto e a vir a correr desmentir, por piedade ou sinceridade, não interessa agora, antes que me desse uma crise de choro de grávida. Não deu, mas, depois de pensar em colocar aqui uma foto dos espécimes, percebo que, depois disto, a minha auto-estima ainda não está completamente refeita.

Ecografias caseiras

- Mamã, quero ver o bebé.
- Meu amor, não dá para ver assim. O bebé está dentro da barriga e é preciso uma máquina para o ver e fazer assim e assim (e vou imitando o médico da ecografia e fingindo que estou a tirar uma fotografia à barriga).
Depois de algumas palhaçadas a fingir que estamos a tirar fotos à barriga uma da outra com uma máquina imaginária, ela vira-se e diz, com uma cara muito séria:
- Mamã, eu vou comprar uma mánica.

Complicar, para quê?

De barriga cheia

O relato que se segue vai, provavelmente, fazer-me perder alguns dos seguidores que me adicionaram ultimamente, mas a alegria que eu e a minha filha sentimos ontem ao jantar foi tanta que perder seguidores é coisa que pouco me importará em comparação.

Começo por dizer que não me orgulho disto, mas que também não é caso para a Assistência Social me vir pedir explicações, posto o que ontem à noite tivemos pizza para o jantar! Pizza e gelado, como ela repetiu vezes sem conta. Mas tenho para mim que dias não são dias e em breve o cozinheiro salvador está a chegar para nos livrar do mal das refeições prontas.

A tarde estava solarenga e tanto eu como ela sentimos necessidade de aproveitar o sol que não molha os baloiços e o sol que nos faz querer sentar num banquinho de olhos fechados e o sol que nos leva a vaguear pelas ruas atarefadas de Algés atentas a tudo e a nada. Foi assim que, sendo quase oito da noite, mas quase ainda de dia, lembrei-me, distraída, que não tinha jantar para ela. Podia ter vindo para casa e ter feito qualquer coisa rápida, podia ter vindo para casa e ter feito qualquer coisa demorada enquanto lhe acalmava a fome com pão, mas acabei por telefonar e pedir a pizza mais simples que tivessem.

O delírio começou mal a pizza chegou. Como se fosse dia de festa, ela ria e escondia o riso como se fosse marotice, e depois de muito comer (era uma pizza individual que eu cortei em muitas fatias fininhas para parecer mais), houve uma de nós, não interessa agora quem!, que deixou escapar um arroto. Isso é que foi o fim da picada. Começámos as duas a fingir arrotos maiores do que o outro, com a língua de fora e os olhos revirados, e depois ríamos, ríamos, ríamos, e voltávamos a fingir arrotos, e ríamos, e ríamos, e ríamos, ríamos com prazer e ingenuidade até ficarmos as duas com soluços e a pizza começar a ficar fria, mas nós ríamos como se estivéssemos possuídas por um qualquer deus do riso, que depois ainda nos pôs a comparar as barrigas dilatadas do tanto que comêramos, e a fazer como os homens do campo, de perna aberta e barriga grande, e ela a prestar-se a tudo e a imitar-me e a fazer-me rir tanto que no fim só podíamos ter acabado abraçadas.

E é assim que se está a acabar o nosso girly time. Acho que nos divertimos e ganhámos as duas muito nas duas últimas semanas, mas o papá também já faz muita falta... Para fazer suminhos verdes e andar às cavalitas. Vá, anda, papá, anda.