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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

O que há de errado?

Sala de análises clínicas do hospital cheia de velhas. Eu sou a única pessoa com menos de 53 anos. Sou também a única pessoa a fazer crochet. O mundo está às avessas ou é apenas uma conspiração para eu não poder dizer que me sinto uma velhinha de cada vez que saco da lã e da agulha?

Casa das relíquias

Depois do fantástico workshop de crochet a que fui no sábado na Retrosaria, um sítio a que dá sempre vontade de voltar, de mexer em tudo, de sentir a textura de todos os tecidos giríssimos, de folhear todos os livros japoneses e de ter uma casa assim, cheia de mantas de retalhos penduradas nas portas e bonecos de pano gigantes no quarto das crianças, voltei a pensar na manta de crochet da minha avó.


Por um acaso divino que me ultrapassa, dei com a dita manta em casa da minha mãe, bem embrulhadinha num plástico da 5 à sec, nos confins de um roupeiro que já quase ninguém abre quando, no domingo, eu e a minha mãe procurávamos o resto dos 53 mil panos de cozinha que herdei de enxoval e já me vão dando jeito desde que tenho uma mulher-a-dias que confunde panos da loiça com trapos limpa-tudo.
Lá estava ela, linda, única e inestimável, a manta que a minha avó fez com as suas próprias mãos e que foi adornando, durante décadas a fio, todas as camas do casarão, agora ali fechada num roupeiro a ganhar mofo, tudo porque a minha mãe tem preguiça de remendar um buraco num dos cantos da manta. Lá consegui convencê-la de que a manta merece muito mais do que ficar enfiada num canto do roupeiro a atrair traças e demais bicharada, e que ficava mesmo bem na casa da neta mais nova, mediante a promessa solene de remendá-la, expô-la e tratá-la como aquilo que é: uma peça artesanal irrepetível com uma história contada em cada quadradinho.


 Nos panos da loiça já ninguém pensou, claro, mas depois de tudo o que ganhei ontem (fora a manta, foram restos de tecido vintage, restos de lã para ir praticando a minha recém-nascida aptidão para o crochet guardados uma caixa de metal vintage mais velha que eu que, reza a história muito pouco romântica, veio de Espanha cheia de bolachas, um livro daqueles maravilhosos dos anos 70 com lições de costura, tricot e crochet e que ensinam a fazer tudo, repito tu-do, e roupa que vesti em bebé feita pela mão da minha mãe e que escapou ao meu escrutínio da primeira vez que dei volta ao baú aquando do nascimento da primogénita), acho que fiquei bem servida. Isto sem contar com os casaquinhos de malha, fraldinhas debruadas e babygrows que a minha mãe insistiu em fazer e comprar para a mais nova, como se nós não tivéssemos caixas cheias de roupa da primogénita para reutilizar e estivéssemos mesmo precisados de mais uma fralda que dá tanto jeito para tapar a janela do carro. 
De facto, uma coisa que já percebi é que as mães têm um grave problema de surdez crónica em certas e determinadas situações. "Não precisamos" é muitas vezes confundido com um "Por acaso, dava-nos jeito mais um" e "Não quero, obrigada" é tomado como "Vê lá, não te quero dar muito trabalho...". Portanto, é deixá-las fazer. Elas gostam, sentem-se úteis e avós à séria e a gente arranja sempre mais um espacinho no armário. 
E com isto lá se vão os meus princípios do destralhanço...

Sugestões para remendar isto ou basta mesmo fechar o buraco com uma linha da mesma cor?
Os primeiros passos


Progressos

O produto final, uma amostra de cinco pontos mais ou menos mal amanhados...

A caixa das bolachas espanholas aka caixa vintage para guardar restos de lã

Crochetando



Nunca esperei voltar a aprender crochet, mas é já amanhã, na Retrosaria, com a Rita Cordeiro
Quando a minha mãe souber, ela que sempre insistiu tanto para que eu fosse uma donzela prendada na arte de bem manejar as agulhas, é capaz de lhe dar um achaque. "Mas eu tentei ensinar-te!" Sim, mãe, há 20 anos atrás, quando eu achava que crochet era coisa de velha maluca por naperons.
Hoje em dia o crochet foi reinventado. Já é cool costurar, fazer malha e crochet. Já não é só coisa das mães e das avós, já não serve só para fazer naperons para pôr em cima da televisão e, apesar de ainda haver muita gente que pensa que esta coisa das manualidades é para donas de casa frustradas, eu estou cada vez mais fã, babo-me a olhar para certas fotos que vou encontrando na Internet e penso sempre como gostaria de conseguir concluir uma peça destas,

como as mantas de crochet com que cresci em casa da minha avó alentejana e que ainda espero vir a adquirir um dia. 
Eu: Mãe, depois quando fizerem as partilhas, podes tentar muito ficar com a manta, as almofadas de crochet e a máquina de costura Singer da avó, para mim?
Ela olha para mim com aquele ar esgazeado "Deves estar mas é maluca", informa-me que já tinha pensado em ficar com essa parte da herança para ela e não pondera, por um minuto sequer, passá-la directamente para mim. E eu pergunto-me, para onde foi parar o altruísmo de mãe, humm? É tudo só para os netos agora? Já não se abdica de tudo em prol dos filhos na idade da reforma? De nada? Nem de uma roseta?


Imagens retiradas da Internet/Pinterest

Manta de retalhos

Está decidido. Comecei ontem a cortar retalhos para fazer uma manta para a nova cama da primogénita. Vai ser uma manta enorme, daquelas de 180 x 240 cm, que me vai levar uma eternidade a conjugar e a fazer, mas que é capaz de me dar um gozo do caraças quando estiver pronta.
O que eu queria mesmo era fazer uma réplica das peças que fui coleccionando no meu Pinterest aqui e aqui (e queria mesmo ter uma destas), mas temos de ser realistas e aceitar que vai sair uma coisinha bastante simples.




A peça central da colcha, que vai definir as cores usadas, já está na parede, como faz a malta que percebe muito de patchwork. O homem, quando viu, fez uma espécie de ar de gozo misturado com orgulho pela mulherzinha prendada, mas como quem pergunta: "Isso vai ficar aí nos próximos dois anos??"

Vou tentar que não. Tanto que já tenho 44 retalhos cortados! Deve dar-me aí para duas filas de retalhos...


Entretanto, chegou finalmente o meu novo livro de costura, aquele que me vai ensinar mesmo a sério a fazer um quilt do catano e que vou tratar de ler antes de começar a coser para ver se não sai a borrada do costume...



E agora só tenho de me mentalizar que tenho tecido suficiente e do mais giro que há!

Quem diz a verdade...

Depois de um primeiro trimestre de gravidez completamente desinteressada das costuras, lá recuperei a vontade de costurar umas coisinhas para a descendência. Comecei por umas botinhas de bebé (imbuída de espírito maternal depois de ter visto o segundo aos pulos no ventre), mas que não me correram bem e estão à espera de dias melhores (ou do dia em que vou descobrir como enfiar uma coisa tão pequena debaixo do pé calcador - diz que é possível!).
Optei, então, por repetir terreno conhecido e fazer saias e vestidos básicos-mais-básico-não-há para a primogénita. O primeiro correu bem, vai daí, resolvi dar-lhe com força e repescar as capulanas que trouxe de Moçambique nas últimas férias.
Feita a "saia dos elefantes" que ela adorou mas que não lhe serviu (...), resolvi fazer-lhe outra saia, desta vez com as medidas certas. Não sei o que aconteceu, mas a saia passou de saia a blusa por um acaso inexplicável, com fita para o cabelo a condizer. No dia seguinte - hoje - mostrei-lhe, para a primeira prova, convencida de que ia gostar só porque o tecido tinha elefantes.
Quando lhe coloquei a fita na cabeça, foi-se ver ao espelho e saiu-se com um:
- Mamã, isto é do cozinheiro!
(Oi?)
E depois fez um esgar de dor para que lhe tirasse a fita.
Perdida por cem, perdida por mil, vamos lá experimentar a blusa.
Assim que a viu, a reacção não podia ser mais esclarecedora:
- Mamã, é feio!

E eu, literalmente com cara de cu, ainda ouvi o pai dela a rir no quarto e a vir a correr desmentir, por piedade ou sinceridade, não interessa agora, antes que me desse uma crise de choro de grávida. Não deu, mas, depois de pensar em colocar aqui uma foto dos espécimes, percebo que, depois disto, a minha auto-estima ainda não está completamente refeita.

Fim-de-semana artesanal

Então, lá desisti dos sabonetes. Em vez disso, fiz um écharpe com apliques, cuja foto não vou colocar aqui porque preciso mesmo de continuar convencida que está muito giro e digno de oferecer à sogra. De resto fiz praticamente todas as prendas, tirando uma para o pai, porque já não tive forças de me pôr a pintar madeira, e a bolsa para a cunhada, porque houve sempre alguma coisa que correu mal nas duas que fiz. Além disso, para grande desgosto meu, os tecidos de capulana que trouxe de Moçambique revelaram ser de péssima qualidade....
Cheira-me que vou ter mesmo de espreitar aqui para fazer uma coisa decente do princípio ao fim. Ainda tenho 5 dias, tudo é possível!

Ora, os resultados foram mais ou menos estes:

A bolsa (uma das) que não ficou tão bem como parece.

 

Os preparativos para a festa dos dois anos da filhota, cuja decoração ficou a meu cargo, mas como me embrenhei demasiado nas prendas de Natal, acabei por não conseguir delinear um tema para a festa. Portanto, vai ser o tema dos retalhos e do que há cá por casa!

 

Os marcadores de livros para oferecer a montes de gente.
5 já foram, que isto é tudo gente culta e letrada.

 

O porta-lápis para oferecer ao amiguinho-surpresa na escola, no dia da festa de Natal. Podia ter comprado qualquer coisa, mas quis ver quanto tempo demorava a fazer um. É que o plano inicial era fazer 14 para distribuir nos party favour bags que ainda vou ter (help!) de preparar para a festinha de anos da Inês na escola. Resultado: decidi simplificar! O homem vai fazer umas coisas desidratadas e eu...
...vou ao chinês!

 

O raio das pegas para a avó e para a tia.

 

Os saquinhos de alfazema que ainda vou ter de encher. Sem stress, ainda tenho 5 dias!

 

A malinha para a prima de 6 anos. Pronto, acho que esta ficou gira!

 

Os passarinhos para o móbil que custaram a encher comó raio para o mais novo membro da família que vai nascer em breve.

 

A bolsa para a mãe que, segundo já me disseram, tem um ar assim "esquisito" e não serve para pôr nada (visão masculina da coisa, vale o que vale). Eu cá achei o molde super fácil de fazer...
 
De modos que depois de tudo isto em 2 dias estou com uma grande dor de pescoço.

...


Entretanto já me animei, apesar de saber que as pessoas para quem estou a preparar estes passarinhos (o que será? o que será?) cancelaram a sua presença na ceia de Natal. Já não vou fazer um brilharete. Arrisco-me a enviar a prenda por mãos alheias e a só poder imaginar o deslumbramento ao desembrulhar a obra de arte. Ou então fico eu com ela. A loja do Chinês está sempre aberta.


( )

Numa perspectiva optimista, penso se não seria giro fazer um tutorial (adoro esta palavra), como os que andam muito na moda por aí, sobre o que NÃO se deve fazer na costura, uma coisa tipo "How not to... tutorial". Aposto que o número de visualizações deste blogue subia em flecha.
Ou não.
Preciso de um chocolate.

Natal "Fui eu que fiz"... azar de principiante

"Então e porque não fazes umas pegas?"
Claro. Parece fácil, tenho pegas lá por casa para me guiar, até tenho um tecido todo janota que ainda não tinha usado. Sim, é uma boa ideia.
WRONG!


Parecem umas pegas bonitinhas e bem feitinhas na foto, mas na verdade parecem um Sapo Cocas marreco quando entram na minha mão, que, já sendo pequenina, dentro da pega tem ataques de claustrofobia!


Juro que tive vontade de chorar. E de mandar o raio da máquina de costura às urtigas. Mas não mando, que me custou dinheiro. E, como não sou pessoa de desistir (não?), vou fazer outras pegas. Será a terceira tentativa, que a primeira pega de todas foi parar à nossa cozinha como cobaia-já-que-perdeste-tempo-a-fazê-la-é-uma-pena-ir-para-o-lixo. Passou no teste de resistência térmica, que afinal é para isso que se quer uma pega, mas teve zero (0) em termos estéticos.
Ora a minha avó, pode já não ver bem, mas vai sem dúvida achar a pega um tanto ou quanto esquisita.

Tenho 27 dias para fazer 10 prendas de Natal. Não há muita margem para erro, ou no dia 24 ainda tenho de ir a correr ao Chinês antes da consoada.
Respiro fundo e traço um plano C. Ninguém nasce ensinado. Certo?