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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

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A teoria do parto anunciado

Em vez de andarem para aí com políticas de austeridade, que tal se tratassem de arranjar uma maneira de mudar as leis naturais da gestação e implementar a minha nova teoria: o parto devia estar ao mesmo nível de, por exemplo, um exame de admissão à faculdade, uma operação cirúrgica, uma viagem à volta do mundo ou o casamento. Passo a explicar. Todos estes acontecimentos exigem uma preparação prévia, em alguns casos ao longo de mais do que 9 meses, e todos eles permitem ou sugerem uma espécie de comemoração/ritual de preparação no dia anterior, desde a despedida de solteiro, a jejum ou uma noite bem dormida. Não seria bem mais fácil se no parto fosse igual? Salvo os partos que são marcados, devia haver um sinal infalível que nos indicasse que iríamos entrar inequivocamente em trabalho de parto nas próximas 24 horas e nos permitisse providenciar os arranjos necessários (levar a miúda aos avós, fazer as últimas comprinhas, fazer a depilação ou simplesmente dormir) com a certeza de que não teríamos de repetir tudo daí a uma semana ou mandar vir a miúda dos avós com um sorriso amarelo. Principalmente para a depilação dava jeito não sofrer em duplicado. Já basta... Saía-nos o rolhão mucoso ou qualquer coisa nojenta e gelatinosa do género e já sabíamos, pronto, amanhã é o dia, vamos lá comer uma última feijoada, dizer à família que já podem parar de nos telefonar dia sim dia sim e preparar o último jantar romântico dos próximos seis meses.
Mas não. Ainda ninguém se lembrou disto e, portanto, cá andamos nós à espera que o corpo deixe de brincar às contracções, a caminhar e subir escadas não como se não houvesse amanhã, mas consoante o que o corpo nos permite nesta fase, e a constatar que os nossos bebés gostam mesmo é de ficar cá até à última. Se, quando entrei de baixa às 28 semanas com risco de parto prematuro, alguém me dissesse que ia chegar às 39 semanas e meia, rir-me-ia. Mas como não sabia, nunca esperei chegar a esta fase e acabei por deixar que a ansiedade e a frustração tomassem conta de mim na passada semana, o que foi assim meio contraproducente. Por isso, optei por uma estratégia diferente. A estratégia do que se lixe. Ai estás com contracções? Vai mas é ver uma série. Pode ser que tenha um desfecho mais adequado à situação do que desatar a subir escadas assim que as contracções começam a atingir a regularidade desejada. Já percebi que não adianta. Assim como assim, ela não vai ficar cá dentro para sempre, certo? Então mais vale começar um novo livro ou a quarta temporada do Parenthood e deixar-me de cenas. É quando quiseres, filha. Juro que agora só te pressiono outra vez contra a tua vontade quando me vieres pedir para ir para a catequese. Palavra de mãe.

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