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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

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Há mais vida quando se lê



A Feira do Livro de Lisboa começa hoje e urge fazer uma lista dos livros que quero comprar, para que não aconteça o que os nutricionistas desaconselham às pessoas que querem emagrecer: nunca vá às compras com fome.
E eu ando com fome de ler.
Desde que a minha filha nasceu que não tenho lido nada de jeito. Leia-se: nada de jeito em quantidade, porque não sou pessoa para perder tempo com livros que não me cativam ou literatura de cordel. Não gosto, não leio, volta para a prateleira ou, como tem acontecido ultimamente, vai pelo correio para outra pessoa. Este ano já li umas coisas jeitosas, como João Tordo, José Luís Peixoto (que nunca, mas nunca desilude) e valter hugo mãe, uma preciosa descoberta este ano. Mas, tirando isto, tenho-me limitado a livros técnicos sobre parentalidade, minimalismo e felicidade (não é bem auto-ajuda, mas percebo que facilmente se confunda) os quais, em dias de maior cansaço, são a desculpa ideal para nem lhes tirar o pó da capa.
Quando o homem foi para o Nepal, eu deitava-me sempre cedo. E lia todas as noites. Descobri que ando a precisar de histórias, não de conceitos. Preciso de histórias que me cativem, que me façam querer pôr palitos nos olhos e ficar acordada até às 3 da manhã para ler (onde é que isso já vai...), histórias que me façam pensar nelas durante dois dias para além da última página, histórias que me levem até às ruas geladas de Reiquiavique (diz que é assim que se escreve). Histórias de assassínios no gelo e detectives solitários em busca da verdade em detrimento da vida familiar e pessoal que se vai desmoronando à medida que se aproxima o desenlace. E a neve, sempre a neve e a escuridão. Adoro. Policiais escandinavos, é do que eu gosto. Um gosto esquisito, pois então. Há quem goste de histórias adolescentes sobre vampiros, há quem nem sequer goste de ler. Eu gosto de policiais do frio. Pois então.

Quando estava na Alemanha, descobri alguns autores que me acompanharam fielmente durante meia dúzia de anos. Henning Mankell, Arnaldur Indridason, Ake Edwardsson e Karin Fossum, cujo A Noiva Indiana foi capaz de ser um dos melhores policiais que já li.


Quando voltei para Portugal, continuava a mandar vir os livros em alemão, até que ler em alemão me começou a cansar, mais do que me custar. Experimentei mais um ou outro em português, mas, com algumas desilusões pelo meio (Camilla Läckberg foi uma delas - aquela Princela do Gelo facilmente confunde policial com crónicas da Bridget Jones, por que raio é que a protagonista há-de estar sempre preocupada com o peso e com o que veste, por deus?), pouca coisa encontrei que me enchesse as medidas. E estou a falar apenas do género policial.

Agora que a segunda gravidez me voltou a tirar neurónios, sinto que preciso de histórias simples, pouco descritivas ou conceptuais e com muita acção e suspense para evitar que adormeça ao fim de duas páginas. Eu, que sempre fui mulher de gostar de clássicos e livros que exigem mais concentração, dou por mim a não conseguir sequer acabar um Murakami por ser demasiado surreal e pouco emocionante (convenhamos, o senhor volta sempre ao mesmo).

Posto o que, com a Feira aí à porta, preciso urgentemente de sugestões de leitura para as férias que também se avizinham. Só numa tarde já consegui reunir uns quantos títulos graças a dicas dadas por amigos, mas todas as sugestões são poucas quando a sede de ler é tanta.

Ora, faz favor de chutar.

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CorretorMais

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