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Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Num pequeno ginásio perto de si

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Desde miúda que me inscrevo em ginásios, mas nem por isso sempre fui magra ou atlética. Também nem sempre fui uma frequentadora assídua ou, caso sendo, nem sempre tive uma alimentação equilibrada fora dali. Mas é ponto assente que sempre me dei melhor com ginásios pequenos, de bairro, com menos condições e menos oferta, mas onde sabem o meu nome e estranham se eu não for. No ginásio onde ando há um ano, desde que nos mudámos para aqui e que frequento 4 vezes por semana à hora de almoço, o número de participantes da aula de spinning nos seus dias mais concorridos não chega para, num dos ginásios mais famosos do país (aquele começado em agá, onde andei e odiei), manter uma aula aberta. No entanto, é este grupo coeso de pessoas que vão sempre à mesma hora e se conhecem desde crianças que me dá alento para ir nos dias em que menos apetece. Felizmente, esses dias em que menos apetece vão sendo cada vez menos. 

 

Consigo fazer uma analogia com todos os trabalhos que já tive: sempre preferi trabalhar e sempre trabalhei em micro e pequenas empresas. A única vez em que trabalhei numa multinacional foi uma nódoa no meu currículo e, anos depois, recusaria uma posição bem paga numa outra multinacional por uma remuneração miserável como tradutora num gabinete de vão de escada. Nem toda a gente entende isto, mas sempre achei que o dinheiro não é tudo. Deve ser o meu lado anti-capitalista, anti-urbanista (?), anti-massificação.

Desde que vim morar para Sesimbra, descobri que não gosto de andar anónima na rua e que gosto de ser cliente habitual, que me tratem pelo nome, que me tratem por tu, que conheçam as minhas filhas e saibam onde moro, para me poderem avisar se deixei a luz de fora acesa ou se o meu gato está no quintal da vizinha, ou outra coisa pior. Gosto de ir à piscina e encontrar mães de colegas das minhas filhas e estar um pouco à conversa e gosto que me deixem não pagar no café porque me esqueci da carteira. Gosto que a senhora que cá faz limpeza também me venda viagens e que o meu cabeleireiro só cá venha de 15 em 15 dias. Gosto de ir à vila e encontrar sempre algum colega de escola do homem, apesar de às vezes ser chato porque ele não se lembra do nome deles e fazemos invariavelmente figura de parvos.

Em suma, estou muito feliz por ter saído da cidade. Sempre pensei que me sentisse sufocada com a falta de anonimato e, às vezes, de privacidade, mas a verdade é que me sinto confortada por esta sensação constante de estar sempre acompanhada.

 

[Só para voltar ao tema inicial do post, se há dois anos me dissessem que, um dia, iria ao ginásio 4 vezes por semana por gosto, rir-me-ia muito. E não é para ser má língua, mas o meu treinador tem mais músculos do que os treinadores da nova edição do Peso Pesado.]

Há gatos no pontão

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Hoje voltei a correr. Bom, na verdade, só saberei se voltei a correr da próxima vez que for correr e da vez a seguir a essa, quando lhe voltar a ganhar o gosto, as pernas deixarem de pesar tanto e encontrar o meu ritmo certo para a respiração. Mas hoje fui correr com o intuito de voltar a correr. Foram 3,3 Km penosos, a lutar contra o vento e a precisar de dar tréguas às pernas com caminhada pelo meio. Valeu a paisagem com o porto de um lado e o oceano do outro e os gatos do pontão que me vinham dar as boas-vindas. Os gatos do pontão são vadios, mas gostam das pessoas, muito ao contrário dos gatos não vadios a quem damos de comer no nosso quintal e que dão por nomes ilustres como Balzac, Pompeu e Elvirinha, mas a nobreza que têm no nome não a têm - ainda - na forma de estar.

Este que desce a rocha, desce para me cumprimentar, roça-se nas minhas pernas, deixa que lhe faça festinhas e corre atrás de mim durante 2 ou 3 metros quanto retomo a corrida. Gatos vadios que gostam de pessoas dão-me esperança no ser humano e também vontade de os trazer para casa, mas depois lembro-me do Dexter, que é o meu - e foi encontrado, moribundo, neste mesmo pontão! -, e dos outros cinco que não são meus, mas que me miam à porta como se fossem, o Balzac, o Pompeu, a Elvirinha, o Zeca e a outra que ainda não tem nome. Acho que já são gatos que cheguem num quintal só...

 

Mas voltemos ao pontão. Estava demasiado vento. Estava tanto vento que tive medo de tirar fotos, não fosse a brisa levar-me o telefone. Ainda assim, tirei, ao mar e aos gatos, para me relembrar num dia de preguiça que encontrei um sítio maravilhoso para correr. De uma ponta à outra, o pontão tem 830 metros, por isso basta ir e vir duas ou três vezes para fazer um treino razoável (para quem não tem o hábito de correr, claro está). A vista é inspiradora e com uma boa playlist nos ouvidos até é capaz de nem custar tanto. E, claro, haverá sempre os gatos a quem fazer festinhas.

Rato do campo, rato da cidade

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O ginásio onde treinamos em Sesimbra é uma espécie de ginásio familiar, onde toda a gente se conhece desde há uma vida. Quando comecei, em Outubro, éramos meia-dúzia de gatos pingados na turma da hora do almoço. Um grupo pequeno, coeso, com adeptos regulares e instrutores que se lembram que não fomos à aula passada e nos fazem sentir mal por isso... Mesmo assim, é o ginásio a que tenho ido mais regularmente desde que comecei a frequentar ginásios.

Com a proximidade do Verão, e da praia aqui tão perto, a turma começou a encher e já somos tantos que quase não há bicicletas para todos.

Curiosamente, a lotação máxima desde ginásio seria suficiente para fechar uma aula no Holmes Place, devido ao número insuficiente de alunos. Curiosamente, já fui mais vezes a este pequeno ginásio de bairro desde Outubro do que fui ao Holmes Place, enquanto lá estive inscrita, durante dois anos, na grande cidade.

Passei uma vida a dizer que gostava do anonimato, de passar despercebida. Mas era capaz de estar enganada.

Simplicidade (ou como conseguir juntar as palavras destralhar, escrever e exercício físico em dois parágrafos)

Tal como aprendi na Oficina de Escrita Habitual sobre a simplicidade dos textos e a necessidade de cortar e editar a tralha de palavras que não servem para nada a não ser para encher e desconcentrar o leitor, também na minha vida estou a precisar de cortar e editar umas quantas pontas soltas. Faz de conta que só agora percebi que na casa nova não cabem todos os meus livros e material áudio. Nem toda a minha roupa, que não é assim tanta, mas há o azar de termos quatro estações neste país. Nem todos os brinquedos das miúdas que afinal só servem para as dispersar. Estou, assim, em pleno processo de destralhamento de tudo: de palavras, de coisas, de tempo. 

Como o tempo me tem faltado para, por exemplo, falar das outras coisas que aprendi na Oficina, acho que vou ter de perceber bem onde gasto o meu tempo e simplificar as minhas tarefas diárias. Por exemplo, hoje à noite quando o homem quiser fazer aquela série de exercícios abdominais que combinámos fazer sem falta depois de as miúdas irem dormir (há quem escolha fazer outras coisas depois de os miúdos irem para a cama, eu sei), eu vou-lhe dizer que não posso fazer cá abdominais, que preciso mesmo é de escrever. 
Tenho a certeza que ele não se vai importar nem me vai olhar com aqueles olhos suplicantes de quem está com a paciência por um fio. "Mas escrever o quê, mulher?"*

*exemplo copiado da Dora, que tanta graça (e verdade) teve.

A era pós-torradas com manteiga (ou o combate às banhas)

Teaser (daqui)

Farta das banhas acumuladas na gravidez, ando a tentar emagrecer. Já não tentava emagrecer há uns 6 anos quando fui diagnosticada com pré-diabetes - emagreci, mudei a minha alimentação, comecei a fazer exercício (nem sempre numa base regular) e reverti os valores para um estado de não (pré-)diabética. 1-0 para mim. 

Engravidei da Alice e a coisa descambou. Não só comecei a comer o que me apetecia (e apetecia-me tudo a toda a hora), como tive uma gravidez bastante sedentária devido à baixa forçada. É claro que os quilos a mais ainda se fazem sentir 4 meses depois do parto. Não estando gorda, estou com "aquele" pneu na zona abdominal e pernas que parecem claras em castelo. Como já não sou pessoa para me conformar com o meu corpo e não me escondo atrás da gravidez como desculpa para me desleixar (continuo a pensar mais ou menos da mesma maneira desde este post, se bem que não tão fundamentalista), iniciei uma dieta pró-amamentação com o início da Quaresma Infiel. Como estou a amamentar, não posso entrar em dietas extremas, mas posso perfeitamente cortar nas comidas processadas, no pão e nos doces, comer mais salada às refeições, fruta em vez de sobremesa, beber muita água e sumos verdes (diz que está na moda mas eu já os ando a beber há algum tempo), comer mais vezes durante o dia e menos de cada vez, e foi o que fiz. Comecei também a investir no exercício físico. Voltei a correr (ou mais ou menos), tenho tido treinos personalizados uma vez por semana que me deixam com um andar estranho durante cinco dias e estou agora a complementar este treino com aulas de ginástica localizada no ginásio e outros treinos que o PT me manda fazer em casa (que incluem coisas que parecem tão simples como saltar à corda, mas gostava de vos ver a saltar à corda durante oito minutos seguidos sem vomitarem os pulmões!). Todos os dias tenho dores musculares em alguma zona do corpo, mas a verdade é que já reduzi 2 cm de perímetro abdominal desde há um mês, portanto vejo estas dores como aliadas de um corpo esbelto e firme (haha!).

Mas eu gosto de comer. E, portanto, a comida na fase de emagrecimento tem de me saber bem. Começando com o pequeno-almoço, aquela refeição que nos deve dar energia para o dia, gosto de alternar e, principalmente, de ir para a cama a pensar no pequeno-almoço do dia seguinte. Isso nunca me aconteceu quando comia só torradas! E o pequeno-almoço que mais me faz salivar (literalmente) são as overnight oats. Ou seja, papas de aveia com iogurte e fruta em camadas preparadas na noite anterior (o que ajuda a ir para a cama a pensar nelas), uma espécie de trifle de aveia saudável. Já experimentei várias receitas, mas tenho-me mantido fiel à mesma receita básica que já não sei se fui eu que inventei se vi em algum lado. Como nenhuma das minhas experiências ficou dignamente fotografável, a coisa parece-se mais ou menos com isto

imagem do Pinterest

[e faz-se assim:

2 colheres de sopa de aveia
leite vegetal para cobrir a aveia
1 banana pequena
1 iogurte grego natural (ou outro qualquer)
5 ou 6 framboesas (ou outra espécie de fruto silvestre)
frutos secos (noz, amêndoa, avelã e caju, 2 ou 3 de cada qualidade) e/ou bagas góji
Xarope de agave (ou de áçer ou mel) por cima dos frutos secos

Juntar a aveia com o leite no fundo do frasco, depois juntar os ingredientes em camadas pela ordem da lista de ingredientes (primeiro a banana, depois o iogurte, etc.) sem mexer (esta parte é importante) e reservar 6-8 horas no frigorífico.]

Fica delicioso! Vão por mim: é de comer e chorar por mais. Logo de manhã recebo assim a minha dose de fruta, cereais e energia para uma manhã proveitosa.

Mais receitas de overnight oats aqui e a receita base.
Outras imagens de babar no sítio do costume.

Se tiverem interesse, posso escrever sobre os ditos sumos verdes de que toda a gente fala agora. Se não tiverem interesse, escrevo à mesma que de democracia não reza a blogosfera.

Hércules

Se o teu namorado te oferecer um voucher de 4 sessões de Personal Trainer pelo Dia dos Namorados, isto só pode querer dizer uma coisa: já te queixaste várias vezes que estás gorda, ele já não te pode ouvir sabe como isso te incomoda e só quer ver-te feliz! Tenho a certeza que foi isso que ele pensou quando decidiu oferecer-me 4 sessões de puro sofrimento. 
Confesso que foi uma surpresa. Especialmente porque já tinha lido num ou noutro blogue as experiências que algumas bloggers famosas têm tido com o mesmo PT que me calhou. Falta-me a fama, é certo, mas de falta de proveito não me posso queixar. E quando esse proveito vem na forma de 540 agachamentos feitos em vinte minutos, melhor ainda.
A primeira sessão foi hoje. Ele avisou-me que amanhã ia ter "algumas" dores nas pernas, mas a verdade é que pôr a loiça na máquina depois do jantar já me pareceu uma tarefa hercúlea. Nem sei como é que ele quer que eu vá correr amanhã. Ah e tal, é por causa do ácido láctico e coiso. Exercício com exercício se paga.

É como curar uma ressaca com mais bebida. Só que sem o prazer da bebedeira.