Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Bolas de Berlim... sem creme

Um blogue que não é de culinária (apesar de ter algumas receitas)

Costuras de Agosto

Ainda sobre a questão do tempo. O homem decidiu passar a levantar-se mais cedo para ir correr e eu decidi levantar-me com ele. Como alguém tem de ficar em casa a tomar conta das crianças, eu fico a trabalhar, aproveitando essa meia hora de trabalho a mais que, no final do dia, é convertida em meia hora a costurar. Se todos os dias passasse meia hora a costurar, ao final do mês tinha o meu roupeiro de meia estação pronto. Quero fazer várias túnicas destas, em modo vestido, para o Outono e é melhor começar já.

Hoje levantei-me só 15 minutos mais cedo para me ir habituando, o que deu, convertido em tempo de costura, para coser os ombros da quinta Wiksten que estou a fazer - se calhar 5 Wikstens já são demais, mas tinha esta capulana na cabeça e prometo que depois desta mudo de molde...

Wiksten capulana.JPG

 

Entretanto, tinha uma série de projectos pensados que consegui concretizar em Agosto. Para dar razão a quem acha que tenho tempo a mais, fiz esta blusa para a Alice com um tecido que trouxe da Alemanha,

 

(molde retirado daqui

IMG_9156.JPG

 e dois vestidos de capulana em pandã para elas levarem para o primeiro dia de escola.

IMG_9165.JPG

 

IMG_9243.JPG

(molde do vestido retirado do livro Costura de Palmo e Meio de Emma Hardy)

 

A Inês adorou e já me pediu mais. Só tenho pena que o Verão esteja a acabar. É que estes vestidos estilo pillowcase fazem-se num abrir e fechar de olhos, ideais para quem está a começar ou não tem muito tempo. O que não é claramente o meu caso, já se sabe...

Quanto tempo o tempo tem

IMG_3213.JPG

Hoje perguntaram-me como tinha tempo para tudo o que fazia pois, pelas minhas fotos no Facebook, dava para ver que tinha tempo para trabalhar, para estar com as minhas filhas, para costurar, para fazer desporto, enfim, uma imensidão de coisas vetadas ao comum dos mortais que não tem tempo nem para se coçar. Fiquei intrigada com isto, porque passo a vida a queixar-me que não tenho tempo para nada. Isto é, não tenho tempo para tudo aquilo que gostaria de fazer. E o ser humano quer sempre fazer muita coisa.

 

Na verdade, não perco tempo no trânsito, porque trabalho em casa. Não perco tempo a cozinhar o jantar porque é o marido que cozinha. Não perco tempo a ver televisão, porque não me interessa (prefiro só ver séries escolhidas por nós e sem publicidade) e durmo sete horas por noite, ou menos (calha ser assim, mas sete horas bem dormidas chegam-me). Isto garante umas quantas horas a mais por dia em comparação com alguém que, por exemplo, tenha de atravessar a 25 de Abril para ir trabalhar, tenha de fazer o jantar todos os dias enquanto o homem vê a televisão e depois disso se sente no sofá a ver a novela. Costumo aproveitar esse tempo que não perco para trabalhar, estar com as minhas filhas e dedicar-me aos meus hobbies (costurar, crochet, blog, jardinar, coisas que me dão prazer mas que são perfeitamente dispensáveis para o eficaz funcionamento da rotina familiar). Mas acho sempre que o tempo nunca chega, porque tenho sempre mais projectos na cabeça do que os que consigo realizar, mais tecidos na gaveta do que os que consigo aproveitar e mais vontade de não precisar tanto de dinheiro para viver do que aquela que, no fim do mês, subsiste.

 

Num paralelismo muito mal amanhado, diria que assim é com as necessidades que nascem consoante o ordenado que se tem. Uma família que ganhe 1200 euros por mês dificilmente poderá arrendar uma casa por mais de 600 euros, mas uma família que ganhe 3000 já se poderá dar ao luxo de morar num apartamento de 1000 euros (digo eu, que nunca morei num apartamento de 1000 euros). Logo, as obrigações financeiras aumentam e as necessidades de bens, diversão e qualidade/quantidade também aumentam, porque o ordenado o permite. Assim é com o tempo. Nunca ouvi ninguém dizer que tem tempo para fazer tudo o que quer, a não ser que a única aspiração na vida seja a de passar o dia a meditar...

 

Isto também mostra que as fotografias do Facebook enganam muito. Nos últimos dois meses, sou capaz de ter publicado três ou quatro fotos de mim e da minha família. Uma mostrava os meus tecidos, a outra mostrava-me a mim numa canoa e a outra numa casa ao pé da praia. E pronto, etá instalado o mito de que sou a super mulher que tem tempo para tudo!

Portanto, da próxima vez que me queixar de que não tenho tempo, vou pensar nesta minha amiga que acha fantástico que eu tenha tempo para tudo e talvez mude de opinião.